Demitida da EBC, Leda Nagle ficou "perplexa com falta de caráter" de Rímoli

Ainda no fim da tarde de quarta-feira (07), a coluna soube que Leda Nagle não havia digerido nada bem sua demissão da Empresa Brasil de Comunicação, e que deixou a reunião com o presidente, Laerte Rímoli, que aconteceu no horário do almoço, batendo as portas. Horas depois da notícia, procuramos Leda, que preferiu o silêncio. Ao amanhecer de hoje, a apresentadora, de 66 anos, resolveu falar e disse que ficou "perplexa com a falta de caráter" do presidente e que a postura da EBC foi muito feia. 

"Há dois meses procurei a direção da EBC para saber se iriam renovar meu contrato que terminou no dia 5 de novembro. A resposta foi sim. Fizemos três reuniões falando do assunto, cumpri as regras burocráticas e continuei no ar, mesmo sem contrato, cumprindo minhas obrigações de acordo com as normas que acreditava vigentes. Tanto o presidente da EBC como seus subordinados também agiam como se tudo estivesse certo. Segundo me diziam eles, 'o contrato está acabando de ser feito pelo jurídico'. Sempre foi assim, demorado, sempre teve validade de um ano, de 5 de novembro de um ano até 5 de novembro do outro ano", disse Leda, que apresenta o Sem Censura, nas tardes da TV Brasil, ao vivo, há mais de duas décadas.

Segundo a jornalista, ontem ela foi convocada pra uma reunião, quando apresentaram um aditivo com validade por dois meses, que termina dia 5 de janeiro, coincidentemente no dia do seu aniversário. Leda conta que Rímoli disse que a EBC está "sem dinheiro para continuar" e que, portanto, ela ficaria empregada até 5 de janeiro. "Em março você propõe alguma coisa e a gente pode até conversar”, ele disse à ela. 

"Claro que fiquei triste. Tenho 40 anos de televisão. Estou fazendo o Sem Censura há quase 21 anos. Gosto muito do programa e da minha equipe. E, mais do que triste, fiquei perplexa com a falta de caráter em dar a palavra de que estava tudo certo, que o contrato seria renovado, deixar a pessoa trabalhar normalmente , sem contrato, acreditando na palavra empenhada e aparecer com advogado, um aditivo e esta desculpa esfarrapada da falta de dinheiro. Não houve nenhuma proposta de redução do valor do contrato, nenhuma tentativa de composição, nem nas reuniões anteriores nem à uma hora da tarde de ontem, quando Laerte Rímoli me demitiu. Foi assim. Foi muito feio. Fiquei e estou muito triste. Mas vida que segue. Sou uma mineira guerreira. Bola pra frente, com certeza. Se Deus quiser", finalizou.