Dragão Fashion Brasil - O jangadeiro urbano no desfile excepcional de David Lee

Estilista cearense homenageou os pescadores da Praia do Mucuripe

Tão admirável quanto assistir a uma puxada de rede ao pôr do sol (se você nunca fez isso, por favor, reveja seus conceitos), foi acompanhar look a look, o desfile do cearense David Lee no último dia de Dragão Fashion Brasil. Homenageando os pescadores e jangadeiros da Praia do Mucuripe, na própria capital Fortaleza – onde foi criado e ainda vive -, o estilista fez rede virar roupa. 

Com um crochê (que demora mais de uma semana para ficar pronto) de ótimo corte e modelagem que valoriza a silhueta, David entregou uma perfeita sobreposição – com quê de trench coach. Os looks total black e off white são do tipo objeto de desejo. Até a combinação jaqueta estampa + crochê + short floral curtíssimo deu certo. Esse homem de David Lee, que não abre mão de um handmade rústico e que confere presença, ganha as ruas com combinações com alfaiataria e perfume streetwear. 

O pescador tomou o asfalto com sofisticação – já que o acabamento é primoroso e o caimento é digno de um rolê ao redor do Palácio de Westminster – perdoe-nos a viagem, mas é que a regionalidade da roupa de Lee é também cosmopolita na medida certa, perfeita para levar ao redor do mapa o perfume regional. 

Ainda com espaço para jaquetas estilizadas e estampas com lembrança al mare, a coleção conseguiu imprimir a reverência de Lee ao trabalho dos jangadeiros que observa desde criança (“É uma ofício tão lindo e que precisa ser respeitado”, nos disse ele) e não por isso deixar de apresentar a trinca tendência, comercialidade e conceito. Bem que cantam: “Foi na puxada de rede que o mar nos presenteou”. O canto de Iara ficou no chinelo – e ela amarrada no crochê. Ah, e um adendo: isso não é história de pescador.

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