Ronaldo Fraga emocionou uma plateia lotada com uma coleção bem-amarrada sobre a liberdade – uma espécie de libelo à temática, e aos refugiados do continente-mãe. Sob o tema “Re-existência”, o estilista mineiro trouxe para o primeiro dia de São Paulo Fashion Week uma reunião de cores, texturas e proporções.
Modelos masculinos e femininos celebravam a estética afro com tranças e adereços com forte perfume tribal, ao som de dois nomes fortes da cena cultural africana – o moçambicano Mia Couto e o angolano Valter Hugo Maê. “Na viagem dessa coleção, me guiei pela literatura renitente deles. Moda e arte são instrumentos que conseguem lançar luz sob poesia insuspeita em terreno árido”, disse Fraga.
A estética cuidadosa dele, aliás, ultrapassa as barreiras da arte, traduzindo polêmica em savoir-faire com muita identidade. Entre os tecidos eleitos, a ráfia e o tule chamaram a atenção. Flores azuladas e correntes prateadas foram aplicadas aos tecidos, em um contraponto cheio de significados. Liberté, evoé!