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Já faz tempo que a presença da Reserva em qualquer line-up de semana de moda (seja antes, na São Paulo Fashion Week, ou agora, no Fashion Rio) passou do status de mero desfile para um verdadeiro evento, gerando expectativa intensa. Nesta edição da maratona fashion carioca, claro, não poderia ser diferente.
Sempre com a verve de manifesto por detrás de suas coleções, a grife de Rony Meisler decidiu minimizar os holofotes sobre sua tropical cartela de cores para apresentar peças trabalhadas maciçamente em jeans com variação de cor degradê, do preto ao branco. Uma espécie de Verão low profile que abriu espaço para a verdadeira proposta: um desfile fantasioso, literalmente.
Como porta-estandartes na passarela, os modelos da marca carregavam a sua frente fantasias (do Shrek ao Chapolin, do Fred Flinstone ao pierrô) como forma de elucidar a ideia da moda enquanto conceito 'careta' e distante da realidade (como muitos sabem, o lema da marca é baseado em 'roupas de verdade para pessoas de verdade'): um mundo repleto de regras que a Reserva, sempre com muito humor, se recusa a seguir.
Ousadia, Carnaval, burburinho: lembrou de alguém? Pois é, não seria exagero comparar a Reserva com Paulo Barros. Afinal de contas, assim como a grife carioca, o carnavalesco é sinônimo de polêmica (ainda hoje, mesmo após dois títulos no currículo). Gostar ou não dos enredos criados pela grife é uma outra etapa. O que fica, por enquanto, é o desenvolvimento comercialmente certeiro e inegavelmente carismático de suas coleções.
Ah, após mais este desfile também ficará na memória o show pelos corredores da Marina da Glória, com os modelos porta-estandarte interagindo com o público ao som de um bloco de Carnaval. Espécie de reprodução da Praça da Apoteose ao fim de uma apresentação inesquecível. Se o limite da moda se encerra antes ou depois destes momentos proporcionados por Rony & Cia., cabe a todos nós refletirmos.