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Estreia em 'Curitiba', 'Horses Hotel' se inspira na cena artística dos anos 70!

Espetáculo dirigido por Alex Cassal promete ser hit do Festival de Teatro. Confira entrevista

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Um dos espetáculos que mais chamam atenção no line-up do 22º Festival de Teatro de Curitiba, é, sem dúvida, 'Horses Hotel'. Com direção de Alex Cassal (da cia. Foguetes Maravilha) e elenco composto por Ana Kutner, Renato Linhares e Emanuel Aragão, a montagem promete ser um dos sucessos do evento que começou nesta terça-feira (26). 

Inspirada no universo artístico dos anos 70, a peça conta a história de um triângulo amoroso todo vivido dentro de um decadente quarto de hotel (Chelsea Hotel, alguém?), por onde passam diversas figuras, entre artistas, marginais, viajantes, sonhadores e outros tipos. Com o músico Roberto Souza também em cena - para dar o toque rock n' roll que a trama pede -, vê-se desenrolar, no palco, uma história de amor e amizade típica dos anos 70, com referências que vão de Arthur Rimbaud a Andy Warhol, passando pela Tropicália.

Com sessões às 21h, nos dias 5 e 6 de abril, no circuito do Festival da capital paranaense, 'Horses Hotel' logo mais chega ao Rio de Janeiro, com estreia no Oi Futuro Flamengo (que agora recebe a ótima 'Edukators'), no dia 18 do mesmo mês. Para matar a curiosidade sobre uma das peças mais cool que os palcos brasileiros devem ver esse ano, batemos um papo com o diretor Alex Cassal.

Heloisa Tolipan: Como surgiu o projeto? A ideia inicial veio após a leitura de 'Só garotos', da Patti Smith?

Alex Cassal: A Ana Kutner queria montar um espetáculo sobre uma visão de mundo típica dos anos 70: amor, lealdade, ousadia. Chamou a Clara Kutner e eu e fomos lendo biografias de roqueiros e romances de formação, conferindo filmes de (Jean-Luc) Godard e (François) Truffaut, escutando à exaustão os discos que nos formaram na adolescência.

HT: A atmosfera geral da peça é a da contracultura dos anos 70, certo? 

AC: Trabalhamos muito em cima de um olhar para o mundo que vem desta época e que ainda repercute em nosso tempo: a ideia de misturar arte e vida, de testar os limites dos nossos compromissos afetivos, de inventar novas formas de estar no mundo e se relacionar. Como diz um dos personagens, "fazer arte é como estar apaixonado". O espetáculo acompanha a trajetória de um jovem casal que se apaixona ao mesmo tempo em que está começando uma trajetória artística. Ela, na poesia, e ele, na pintura. Depois, se apaixonam de novo e de novo, por outras pessoas e por outras linguagens, e vão se reinventando a cada nova paixão, em um cenário de movimento e transformação. Por isso também a escolha do hotel, lugar de trânsito e das experiências breves - mas eles vivem neste hotel. Para os dois o trânsito é constante. Não ficamos só nos anos 70, passamos ainda pelo impacto que a AIDS teve nessa geração, nas décadas seguintes, na relação dos personagens com a maturidade e a morte. Tentamos, mais do que reproduzir um tempo passado, descobrir o que ainda existe deste tempo hoje, dialogar com o presente. Os personagens têm muito dos seus intérpretes, Ana Kutner, Emanuel Aragão e Renato Linhares (e do músico Roberto Souza, também em cena), são construídos sobre suas histórias e perspectivas. 

HT: Quais personagens podemos identificar na dramaturgia? 

AC: Utilizamos as referências da época sem pensar em produzir um relato documental, mas aproveitando ícones culturais e situações históricas, como estímulo para nossos personagens existirem. Assim, fomos influenciados tanto pelo bom e velho rock'n'roll (Lou Reed, The Who, The Doors) quanto pelo tropicalismo (Caetano, Jards Macalé), pelas experiências plásticas de Andy Warhol e Hélio Oiticica, pelas vozes de Allen Ginsberg e Wally Salomão. Os espectadores, se quiserem, podem reconhecer no espetáculo vestígios de diversas figuras célebres da música, da literatura, do cinema, das artes visuais. É um hotel por onde passa muita, muita gente.

HT: O que esperar da trilha sonora? 

AC: Paula Leal e Amora Pêra mergulharam fundo no universo musical dos anos 70, e a trilha (toda tocada pelo elenco) é um dos elementos que articula o espetáculo. Buscamos músicas que são representativas da época e com alta carga de teatralidade.

Colaborou Beatriz Medeiros

[email protected]