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Qual a impressão de um jovem no seu primeiro show de Caetano Veloso?

Amigo da coluna, Lucas Landau fez sua estreia, aos 23 anos, no show 'Abraçaço', no Circo Voador

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Você vai ler, a seguir, o relato de Lucas Landau, 23 anos, que, pela primeira vez, encarou um show de Caetano Veloso. Uma delícia de texto, eu garanto.

"Meu primeiro show do Caetano: "era assim que eu queria". Há dois meses, eu comprei uma vitrola e comecei a ouvir uns discos antigos e herança da família. Entre muitos Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, teve um LP que não saiu da minha vitrola até hoje. Transa, do Caetano, de 1972, se tornou meu novo antigo vício. Sabe quando você já conhece uma banda ou um artista, mas do nada se vê viciado nele de novo? Então, aconteceu isso com o Caetano. Ao mesmo tempo, Abraçaço não saia do MP3 player. Comprei o CD meio cabreiro, já que não sou exatamente fã dos dois últimos CDs do Caetano, mas gostei muito de Abraçaço. E tenho ouvido diariamente. É Transa na vitrola e Abraçaço no fone de ouvido. Foi uma espécie de redescoberta do Caetano. E ao mesmo tempo uma felicidade em perceber que um LP lançado há mais de 40 anos é tão bom quanto um CD lançado em 2013. Caetano não ficou parado e evoluiu com os anos. E eu tive certeza: faria minha estreia em um show dele.

Desde o dia que anunciaram as datas dos shows no Circo Voador até domingo passado, 24 de março, data impressa no ingresso, a ansiedade só crescia. Estava em São Paulo quando as primeiras fotos do show de quinta-feira(21/4), começaram a pipocar no Instagram. No dia seguinte, li as críticas, todas com elogios ao show. E, no domingo, fui ao meu primeiro show do Caetano nos meus 23 anos de vida e não poderia ter tido uma ocasião melhor. Abraçaço lotou o Circo Voador, onde pessoas ficaram deitadas na escada, em pé em cima de cadeiras, agarradas às pilastras da lona da Lapa e penduradas por onde quer que tivesse uma fresta de Caetano.

O atraso de apenas 10 minutos (nos outros dias a média tinha sido meia hora) agitou o público que se apertou para cantar em coro a música que abre a apresentação e dá nome ao CD. A Bossa Nova É Foda veio em seguida e manteve os jovens e os não tão jovens assim, cantando juntos. Na música Parabéns, com seu refrão explosivo ("Tudo mega bom, giga bom, tera bom"), Caetano dançou pelo palco, cumprimentou o público e desabotoou a camisa, para delírio do Circo. Triste Bahia, do LP Transa, entrou no setlist e gerou um misto de euforia e emoção por causa da letra marcante.

Dona Canô foi lembrada na música Reconvexo. As clássicas Eclipse Oculto e Você Não Entende Nada transformaram o Circo em um grande baile. Os sortudos da noite ainda puderam ouvir todas as faixas do CD Abraçaço, depois de uma confusão que o próprio Caetano assumiu ter cometido: "Era para cantar Gayana em um dia, e Vinco em outro. Mas já tinha cantado Vinco e agora cantei Gayana", disse rindo. Em músicas como Funk Melódico e Alexandre, o cantor usou uma "cola" para não erras as letras. Já no bis, cantou Índio pela primeira vez na turnê como forma de homenagear os índios da Aldeia Maracanã - para alegria dos mais políticos, que gritaram em prol dos indígenas. Antes de encerrar a noite ao som de A Luz de Tieta, Caetano falou para a plateia, que já estava fervendo: "Era assim que eu queria", seguido de aplausos e gritos. Era assim que nós queríamos, Caetano. Era exatamente assim que eu queria. Obrigado".

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