De 'Balacobaco' ao palco: Roger Gobeth vive a comédia em cena, em 'Répétition'

Em papo exclusivo, ator analisa carreira e fala sobre a peça de Flávio de Souza, em cartaz no Rio

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Há 14 anos, Roger Gobeth gravava suas primeiras cenas como Touro, em ‘Malhação’, e nem poderia imaginar que dali pra frente, contracenaria com Juliana Silveira (com quem já foi casado) duas vezes, em ‘Floribella’ e, agora, em ‘Balacobaco’, a novela que marca o novo objetivo da Record de resgatar o humor em seus folhetins.

Fora da telinha, Roger sobe ao palco do Espaço Sesc, em Copacabana, às sextas, sábados e domingos, até o dia 17 de fevereiro, na terceira montagem da peça ‘Répétition’, de Flávio de Souza, que consagra o retorno de Walter Lima Jr. ao teatro, após 12 anos desde a sua última montagem.  Nesta comédia, as tramas, amores e desejos dos personagens principais (interpretados por Roger, Tatianna Trinxet e Alexandre Varella), que formam um triângulo amoroso, confundem eles mesmos e o público, brincando com a metalinguagem dos ensaios de uma peça de teatro dentro de uma peça de teatro. Assim como a vida já brincou com as histórias que Roger interpretou na TV, no cinema e no teatro. 

Heloisa Tolipan: 'Répétition' é um espetáculo que se baseia na metalinguagem e, como todo trabalho neste universo, traz a chance embaralhar ideias na cabeça do público. Como você acha que o texto do Flávio de Souza escapa desse risco?

Roger Gobeth: Flavio de Souza não foge da confusão que a metalinguagem traz. Ele vai em encontro a ela e toma partido disso na estrutura de seu texto. Com isso, ele tira do público o olhar passivo sobre o espetáculo e o insere como elemento da obra quando exige dele o raciocínio constante para diferenciar aquilo que é real da montagem que está sendo feita dentro da peça. 

HT: Fale um pouquinho sobre como é trabalhar com um diretor consagrado como Walter Lima Jr.

Roger: A generosidade e a delicadeza com que o Walter Lima Jr. conduziu nossa investigação do texto, demonstra a grandeza e a experiência de um cara que, mesmo ocupando a cadeira do diretor, se preocupa em estabelecer uma parceria com todo o grupo envolvido, a fim de enobrecer o processo criativo, tornando o produto final naquilo que ele acredita ser o porquê de estarmos ali e que de fato é: um teatro vivo.

HT: Sua carreira na TV e no teatro é mais sólida do que no cinema. Você tem vontade de, em algum momento, dar prioridade a trabalhos para a telona?

Roger: Talvez prioridade não seja a palavra que melhor defina a vontade de repetir a experiência que tive quando participei de meu único filme, o ‘VIPs’. Acredito que conseguir participar de trabalhos nos diferentes veículos seja um desejo comum da maioria dos atores, assim como é meu. 

HT: Em 2005, você também atuou ao lado da Juliana Silveira, em 'Floribella'. E agora estão novamente na mesma trama: 'Balacobaco'. Oito anos depois, algo mudou na dinâmica de vocês dois em cena? 

Roger: Nosso amadurecimento artístico talvez seja o que tenha levado a Record a nos escalar como par romântico no início da novela. O respeito e admiração mútua fizeram com que nosso reencontro nesse projeto fosse possível e saudável. Nos divertimos bastante fazendo as cenas de nossos personagens e acho que isso contribui para a história que está sendo contada. 

HT: 'Balacobaco' inicia uma tentativa da Record em renovar sua audiência, apostando um pouco no humor, estilo que fazia tempo não aparecia nas tramas da emissora. Você acha que o humor é uma via mais fácil de atrair o público do que o drama ou o suspense?

Roger: Sempre me coloco no lugar do público, e acho que o que buscamos é qualidade. Vejo esse mesmo interesse na relação da Record com suas novelas e minisséries: mais atenção e mais investimentos na busca de entregar um produto de qualidade sempre superior  para o telespectador. Então, independente do gênero, o público está em busca de ser surpreendido.  

HT: Lá se vão quase 14 anos desde que o Touro surgiu em 'Malhação', na Globo. Até hoje as pessoas ainda associam você ao carismático personagem?

Roger: Reconhecimento, hoje, de um trabalho realizado há 13/14 anos é fruto de algumas boas coincidências: foi meu primeiro trabalho de visibilidade na TV, que teve a felicidade de estar inserido num momento de extremo sucesso da série ‘Malhação’, onde dávamos entre 35 e 40 pontos de audiência com um grupo coeso, unido e talentoso formado com extrema sensibilidade pelo diretor Ricardo Waddington. Com certeza existe uma geração que ficou marcada pela novelinha, mas há também aqueles que gostam de outros personagens que desenvolvi, como é o caso agora do Danilo, de ‘Balacobaco’, do Plácido, do ‘Quinto dos Infernos’, do Renato Jacques, do filme ‘VIPs’, e de um que me diverti muito, apesar de ser uma pequena participação, que foi o Zeca Estrela de ‘Coração de Estudante’. Mas mais uma vez acredito que isso seja sempre reflexo da qualidade do que é apresentado. 

Colaborou Beatriz Medeiros

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