Insana: minha peregrinação em NY para ver Lady Gaga em Times Square 

Dois dias mapeando acessos para tentar chegar perto da Mother Monster e Justin Bieber no Réveillon 

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No Inverno atípico em Nova York sem neve, 2012 chegou com o turbilhão Lady Gaga, precedido por Justin Bieber, Pitbull e Carlos Santana, carregando uma legião alucinada de 1,5 milhão de pessoas a Times Square.  A bafônica cantora nova-iorquina, a bordo de um vestido Versace,  deu o start à contagem regressiva para a chegada do novo ano e fez o povo do mundo todo e os americanos,  que estavam naquele local, devorar mentalmente pedaços da Big Apple e achar que  todo sacrifício para chegar ali foi recompensado.

Mas poucos fazem idéia da real história para alcançarTimes Square no dia 31 de dezembro. E eu resolvi fazer o teste em nome de Lady Gaga. Na véspera da virada do ano, ouvi pelas lojas que entrei na Quinta Avenida que a minha aventura para tentar chegar aos pés de Gaga seria "insane" . Uma vendedora da Henri Bendell, onde eu comprava as mais cheirosas velas do mundo, brincou: "Vocês têm Copacabana, nós temos Times Square, mas é empreitada para 'crazy' people". Quando fui fazer meu reconhecimento de área para ver a localização do palco onde Gaga cantaria "Marry the night", toda com um look negro paetizado, os policiais de NY avisavam: "É melhor ficar por aqui logo. Tudo pode parecer 'amazing' na TV, mas é 'a really crowded sensation" .

Vou confessar: faltavam menos de 24 horas para o início da festa e eu me sentia na Rua da Alfândega em véspera de Natal. Juro. Não tinha o nosso calor e nem o povo suando em bicas como fica essa região no Centro do Rio, mas uma multidão empacotada dos pés à cabeça para se proteger do frio de menos zero grau. Toda Times Square estava cercada por cavaletes de aço e um palco pequeno montado por ali. O povo desordenado andava para lá e para cá, observando as luzes e os teatros da Broadway.  Estavam se preparando para aguardar acampados o início do momento histórico do despontar do novo ano e ainda com Gaga e Bieber, dois popstars de públicos beeeeem diferentes.

O vermelho e o preto foram as cores dominantes na passagem do ano e os camelôs vendiam até na Quinta Avenida todo tipo de adereços com luzes e brilhos para enfeitar as cabeças. E quem não chegou com pelo menos 10 horas de antecedência aos arredores de Times Square era obrigado a andar em sentido contrário da festa em ruas paralelas até o Central Park. A polícia de Nova York bloqueou, no que eu pude ver, da 45th até o Central Park.  Com muita educação, eles não aceitavam o jeitinho brasileiro para se tentar cortar caminho e o povo tinha que seguir em frente até o local, onde policiais ainda revistavam bolsa por bolsa.

Me contentei a depois desse sufoco absurdo a ouvir à distância e ver pelo telão Lady Gaga dizer que estava emocionada em participar daquela festa na cidade em que nasceu.  Ela abriu os trabalhos  com Heavy Metal Lover, seguida de Marry the Night e Born this way. Justin Bieber, com calça vermelha, disse que amou cantar no mesmo palco em que Carlos Santana fez uma performance.

Balanço geral: amei ver Lady Gaga, Justin Bieber e Carlos Santana se renderem a New York, New York, na voz de Frank Sinatra, reproduzida nas potentes caixas de som de última geração de um dos lugares mais celebrados do planeta.

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