Venceu a melhor

Bem que a Croácia tentou. Jogou muito bem, no primeiro tempo, e foi para o vestiário perdendo, injustamente, por 2 a 1. A França, dominada, marcou dois gols em lances isolados e polêmicos. No primeiro, não houve a falta que, cobrada por Griezmann, acabou desviada de cabeça, por Mandzukic, para o fundo da própria rede, abrindo o placar. No segundo, uma bola na mão de Perisic, após cobrança de escanteio, virou pênalti, marcado com o auxílio do VAR.

Após o intervalo, porém, os franceses precisaram apenas de 20 minutos para garantir a taça, confirmando suas principais virtudes: a rapidez e eficiência nos contra-ataques, em ambos com a participação decisiva do jovem Mbappé. Foi ele quem puxou o contra-ataque que terminou com a conclusão de Pogba no terceiro gol e, logo depois, foi seu o chute que liquidou a fatura, levando o placar para inalcançáveis 4 a 1. Nem mesmo quando Mandzukic marcou o segundo tento croata, numa bobeada fenomenal do goleiro Lorris, o título da França chegou a ser ameaçado. 

Na final, as duas equipes se mostraram fiéis às suas características. A Croácia (com 61% de posse de bola), buscando o jogo o tempo todo e a França (com apenas 39%), bem fechada, na sua quase inexpugnável defesa, esperando uma bola para usar o contra-ataque, através do talentoso e velocíssimo Mbappé.

Modric, eleito ao final o craque da Copa, lutou muito, mas não foi brilhante na decisão. O principal jogador croata foi Perisic, incansável autor do gol e, ironicamente, também do pênalti que eu não teria marcado, mas, segundo orientação da International Board, pode, sim, ser considerado falta, já que seu braço estava um pouco afastado do corpo.

Já na França, embora Griezmann tenha sido eleito o “homem do jogo”, quem mais me encheu os olhos foi Pogba, um volante que joga de cabeça em pé e é capaz de fazer lançamentos longos e precisos, como o que permitiu a Mbappé puxar o contra-ataque que resultou no terceiro gol, feito pelo elegante camisa seis.

Mbappé, eleito o craque jovem da Copa, não repetiu a atuação espetacular contra a Argentina, mas jogou o bastante para ser decisivo. E se tornou o primeiro jogador de menos de 20 anos a fazer um gol numa final, repetindo feito de Pelé, na Suécia, em 1958. Vai longe o rapaz.

Como deve ir longe também essa seleção francesa, uma das mais jovens da competição na Rússia. Tem idade suficiente para seguir brilhando na próxima Eurocopa, daqui a dois anos, e no Catar, daqui a quatro. 

Ao Brasil resta um consolo: já imaginou se a Croácia, derrotada pelo Brasil por 2 a 0, no penúltimo amistoso antes da Copa, fosse a campeã? Que dor de cotovelo, hein?