Não jogamos bulhufas

Vi muita gente na TV dizendo que o Brasil jogou bem! Devo ter assistido a outra partida! Concordo que se o VAR tivesse sido utilizado corretamente, a seleção de Tite até poderia ter vencido – houve falta em Miranda e pênalti em Gabriel Jesus. Mas daí a considerar a atuação brasileira boa vai uma distância colossal. A mesma que separa os comentários isentos e lúcidos daqueles feitos pelos “pachecos” de microfone, em sua maioria, ex-jogadores ávidos em puxar o saco do “professor”. 

Vamos falar francamente? A estreia do escrete que sonha com o hexa foi uma enorme decepção. Salvou-se apenas e tão somente o chutaço de Philippe Coutinho, no gol brasileiro. Ou alguém é capaz de listar bolas nas traves ou várias grandes defesas do goleiro da Suíça? Pois é. 

Como time, o Brasil simplesmente não conseguiu superar o esquema defensivo do adversário. Não houve jogadas de penetração, triangulações ou dribles bem-sucedidos, nada. Tanto que o gol nasceu de um lindo chute de Coutinho, de fora da área. Ponto.

Depois de marcar, aos 19 minutos do primeiro tempo, a seleção pareceu satisfeita e, aos poucos, foi entregando o comando do jogo aos suíços. Que só não fi zeram mais porque à maioria de seus jogadores falta habilidade sufi ciente. Evoluíram, sem dúvida, no aspecto tático – não se limitam mais a apenas defender –, mas pecam na hora de concluir os ataques que tramam. 

No segundo tempo, saiu o gol de empate (independentemente da falta em Miranda, Alisson falhou feio ao não sair de baixo das traves) e o Brasil quase foi à nocaute. Passou uns 15 minutos tonto em campo e, uma vez mais, só não foi mais castigado porque faltou talento aos rivais. 

Após as substituições (Renato Augusto, sem jogar há um tempão, Tite?!?), os brasileiros voltaram a dominar o campo e a buscar o gol. Mas, exceção feita a uma boa cabeçada de Neymar e outra de Firmino, pouco produziu de útil e teve que se contentar com o decepcionante empate. 

Capenga em termos coletivos, a seleção brasileira teve ainda atuações decepcionantes em termos individuais: além do já citado erro de Alisson, pode-se dizer que Danilo matou os torcedores de saudades de Daniel Alves, Paulinho começou a mil por hora, mas acabou desaparecendo, e Willian e Gabriel Jesus parecem nem ter entrado em campo.

Restou Neymar, que até tentou, mas também não produziu praticamente nada de positivo. Apanhou como de hábito e deixou o campo manquitolando, com dores na panturrilha e no pé operado.

Uma preocupação a mais para Tite, que precisa rapidamente reencontrar o futebol de seu time, desaparecido na estreia na Rússia. 

Em tempo: e a Alemanha, hein? Perdeu do México! Será que vai cruzar o nosso caminho logo nas oitavas? Melhor, não.