Fla x Vasco nos tempos do Onça

O primeiro Flamengo e Vasco que me lembro de ter visto, como torcedor, no estádio, foi o último jogo do turno do Estadual de 1968. O Gigante da Colina vinha fazendo uma campanha espetacular, estava invicto e com folga na liderança da tabela, enquanto o Flamengo tropeçava nas próprias pernas, já tendo perdido do Madureira e do Botafogo e empatado com o América.

Começa o jogo e o espalhafatoso goleiro Marco Aurélio, do rubro-negro, faz uma ponte (ele adorava esse tipo de defesa) e, aplaudido pela torcida, quica a bola, sem perceber a presença de Bianchini, atacante do Vasco, que, de cabeça, lhe bate a carteira e toca para Nei abrir o placar.

Segue a partida e, na base do coração, o Flamengo sai em busca o empate. Seu ataque,  formado por Luís Carlos, Dionísio, Silva e Rodrigues Neto, entretanto, sofre para suplantar a zaga vascaína, até que acontece uma falta na intermediária. Apresenta-se para a cobrança o tosco zagueiro Onça e a bomba que ele solta surpreende não somente ao goleiro Pedro Paulo, como à toda torcida que lotava o Maraca: 1 a 1 no placar.

Animado pelo gol inesperado e empurrado pela massa, o Flamengo partiu para a virada, no segundo tempo, com uma jogada improvável de Fio Maravilha (que substituiu Silva), aplicando um drible por fora da linha de fundo (muito parecido com o de Berrio, no ano passado) e tocando para Dionísio, o Bode Atômico, marcar de letra.

Que vitória! Lembro-me dela no dia em que haverá mais um clássico dos milhões e, desta vez, o franco-favorito é o Flamengo. Em tempo: favoritismo nesse caso, quer dizer muito pouco, como aconteceu em 1968.

Em tempo: naquele campeonato, nem Flamengo, nem Vasco levantaram o caneco. O campeão foi o Botafogo, na verdade bicampeão não somente do Estadual como da Taça Guanabara. Também, olha e escalação da equipe dirigida por Zagallo: Manga (Cao), Moreira, Leônidas, Zé Carlos e Valtencir: Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Jairzinho, Roberto e Paulo César. Uma máquina de jogar bola. Um dos maiores times da história do nosso futebol.

Mais uma burrice?

André Pierre Gignac, 32 anos, atacante francês do Tigres, para o lugar de Guerrero? Espero que seja apenas especulação da imprensa mexicana e não mais uma idiotice do chamado “Centro de Inteligência” do Flamengo. De bonde, basta o Henrique Dourado. Bota a garotada pra jogar, Barbieri: Lincoln e, principalmente, Vítor Gabriel. Já não bastam os exemplos de Paquetá e Vinícius Jr.?

Caos tricolor

A saída de Marcus Vinícius Freire do cargo de diretor executivo do Fluminense era apenas a ponta do iceberg. Cinco vice-presidentes do clube entregaram, ontem, o cargo ao presidente Pedro Abad. Extremamente insatisfeito está também Paulo Autuori, que foi levado para o clube por Marcus Vinícius. Por enquanto, o técnico Abel está conseguindo isolar o futebol desse cenário de ebulição política e caos financeiro. Os salários, porém, estão atrasados, especialmente a parte relativa aos direitos de imagem. E o futuro não parece nada risonho para o tricolor. A única saída é a venda de algumas de suas maiores promessas – o que, naturalmente, acarretará no enfraquecimento do time, que já não é dos mais fortes.

Armação ilimitada

Quer dizer, então, que Michel Platini admite que a tabela da Copa de 98 na França foi armada para que os donos da casa só cruzassem com o Brasil na final? Mais um pouco e vou começar a levar a sério aquela história de que Ronaldo pode ter sido envenenado na concentração pelo cozinheiro marroquino...

Bem-vindos de volta

O sérvio Novak Djokovic e a russa Maria Sharapova, ambos ex-número 1 do mundo e ganhadores de todos os torneios do Grand Slam, voltam, enfim, às semifinais de um Masters 1000. Na rodada de hoje, no Foro Itálico, em Roma, Djokovic enfrentará o rei do saibro, o espanhol Rafael Nadal, número 2 do mundo. Já Sharapova terá pela frente a líder do ranking feminino, a romena Simona Halep. Dois jogaços imperdíveis para os amantes do tênis.

Sejam quais forem os resultados, a volta por cima de Djokovic e Sharapova, que vinham amargando má fase há bom tempo, é um alento para o que se pode esperar deles em Roland Garros, torneio que os dois já conquistaram: Nole, uma vez, em 2016; Maria, duas, em 2012 e 2014. Nenhum deles chegará a Paris como favorito. Mas volta a ser possível imaginá-los brilhando na Phillippe Chatrier.

Desejo mútuo

Início da década de 80, jogavam Fluminense e América, no simpático e saudoso “estádio” de Vila Isabel (na verdade, era um campo de treinamentos, com arquibancadas tubulares). Com os dois times vivendo momentos difíceis no Estadual, a bola ia sendo maltratada em campo pelos dois lados. Foi quando, já impaciente, a torcida tricolor começou um coro de protesto:

- Queremos time, queremos time!

E a torcida rubra, igualmente insatisfeita, rebate na hora, com bom-humor:

- Também queremos, também queremos!