Gol de bochecha em triunfo épico

O Fluminense tem muito o que comemorar, após a vitória heroica sobre o Cruzeiro, por 1 a 0, no Maracanã, mas o técnico Abel precisa conversar seriamente com o seu lateral Gilberto, expulso, com justiça, aos 14 minutos do primeiro tempo, após desferir autêntico coice voador na cabeça de Sassá, em jogada no meio-campo. Seu gesto irresponsável e injustificável só não causou a derrota do tricolor porque os cariocas, atuando com um jogador a menos, justificaram plenamente a fama de guerreiros e os mineiros não começaram a partida com todos os titulares – preocupados com o compromisso de meio da semana pela Libertadores.

Marcado logo no início do segundo tempo, o gol da vitória foi do centroavante Pedro, de bochecha! Sornoza cobrou uma falta em cruzamento alto sobre a área, Gum desviou, de cabeça, e a bola bateu na cara do jovem atacante, mudando de direção e tirando qualquer possibilidade de defesa do goleiro Fábio. 

Daí pra frente, virou ataque contra defesa e a equipe escalada inicialmente por Mano Menezes mostrou limitações comuns à maioria dos times brasileiros. Diante de um adversário retrancado, fartou-se de alçar inúteis bolas na área do Flu. Com a entrada de Arrascaeta (um dos poupados de início), o Cruzeiro chegou a ter duas grandes oportunidades para empatar. Na primeira, o uruguaio acertou a trave e, na segunda, já nos acréscimos, o goleiro Júlio César fez grande defesa, garantindo uma vitória suada e importantíssima para o Fluminense. O próximo adversário é outro tricolor: o São Paulo, novamente, no Maracanã.

Melhor que a encomenda 

Com o empate em 1 a 1, com a Chapecoense, na Arena Condá, o Vasco se iguala ao Flamengo na parte de cima da tabela, ambos com quatro pontos. Duas rodadas são muito pouco para tirar conclusões mas, de qualquer forma, é bom ver dois cariocas nas primeiras posições de um campeonato que se antecipa dos mais difíceis diante das deficiências das equipes daqui. 

Os jogos do meio de semana dirão se ambos continuarão com chances reais de classificação na Libertadores – o que pode influenciar diretamente no foco de ambos no Brasileiro. Na principal competição do continente, a situação dos rubro-negros, no momento, é mais cômoda do que a dos cruz-maltinos. Mas tudo pode mudar, conforme o que acontecer com o Flamengo, diante do Santa Fé, na Colômbia, e com o Vasco, enfrentando o Racing, em São Januário. Duas pedreiras.

Uma linda história 

O momento mais bonito da despedida de Júlio César, no sábado passado, no Maracanã, foi o longo e emocionado abraço de Juan no goleiro, seu velho amigo e companheiro, desde a infância. Foi Juan quem levou Júlio César para treinar no futsal do Flamengo. Ambos se transferiram, juntos, para o campo, onde disputaram todas as divisões de base e, já nos profissionais, conquistaram o tricampeonato carioca nos anos de 1999, 2000 e 2001. No ano seguinte, Juan foi vendido para o futebol alemão e, três anos depois, Júlio saiu para o italiano. Continuaram a se encontrar, entretanto, na seleção brasileira, e disputaram, juntos, duas Copas (2006, e 2010) e vários outros torneios importantes, como Copa das Confederações, Copa América, eliminatórias etc. Em resumo: amigos de uma vida inteira. Daí o carinho mútuo e as lágrimas de ambos. Comovente.

Grande Fabi 

Quem também se despediu nesse último final de semana foi a líbero Fabi, 38 anos, bicampeã olímpica e inúmeras vezes campeã do Grand Prix, da Superliga etc, etc. Torci muito para que deixasse as quadras com mais um caneco. Mas, ontem, no Sabiazinho, o Praia Clube, das campeãs olímpicas Fernanda Garay, Fabiana e Waleska (além da americana campeã mundial Fawcett) teve atuação perfeita e atropelou o Sesc-Rio duas vezes. Na partida normal, por 3 a 0 e no Super Set de desempate (necessário porque o Rio vencera a primeira partida, aqui) por 25 a 17. 

A derrota não impediu, entretanto, que a líbero fosse festejada e homenageada por todo mundo, após a partida – inclusive pelas adversárias. Assim como Júlio César, Fabi se aposenta por questões físicas:

- O corpo já não aguenta! – sintetizou, em lágrimas.

Me lembrou Guga, em sua despedida, que também disse, chorando, que não conseguia mais suportar as dores no quadril. Como o manezinho, Fabi encantou pelo talento e pela incrível determinação. Vai fazer falta. 

Valeu, campeã!

Invencível no saibro 

Como esperado, Rafael Nadal não tomou conhecimento de Kei Nishikori e venceu em dois sets a final do Masters 1000 de Monte Carlo. Do jeito que voltou a jogar, é mais favorito que nunca para ganhar pela décima-primeira vez o título de Roland Garros. Sem Roger Federer e Andy Murray, que não disputarão o torneio francês, e com Novak Djokovic ainda em busca de sua antiga forma, não vejo ninguém capaz de opor grande resistência ao Miúra, em cinco sets, no saibro de “Rolanga”.  Zverev, Dimitrov, Kyrgios, Th iem, Del Potro? Esqueçam.

Filoso?a 

Reflexão filosófico-existencial de Renato Gaúcho, colhida pelo repórter Márcio Tavares, num depoimento emocionado no qual o craque (agora, técnico consagrado) agradecia a Deus por ter recebido muito mais do que pedira em toda a vida. Apesar disso, Renato tinha uma pequena queixa:

- Deus me deu duas orelhas, dois olhos, dois braços, duas mãos, duas pernas e dois pés. Mas o “bráulio” é um só... Não é um desperdício???

Pano rápido. 

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