Júlio César brilha, Barbieri irrita

Se a ideia era dar oportunidades para que Júlio César fizesse boas defesas e brilhasse no dia de sua despedida, funcionou. O Flamengo venceu por 2 a 0, mas levou um baita calor do América Mineiro, principalmente no segundo tempo. Uma vez mais, o rubro-negro decepcionou e a vitória sem brilho aconteceu graças a uma jogada individual de Vinícius Jr. (fazendo cruzamento perfeito para Henrique Dourado marcar) e a um pênalti sofrido e cobrado pelo centroavante, autor dos dois gols. 

A noite foi do goleiro do Fla, que fez várias grandes defesas e levou sustos, com uma bola no travessão e outras que foram para fora, mas passaram perto. Destaque negativo para o técnico interino Maurício Barbieri que, aos 27 minutos do segundo tempo, colocou mais um volante em campo e tirou Vinícius Jr., o melhor do time. Mexida covarde e pouco inteligente, típica de quem não tem a menor condição de dirigir o Flamengo.

Oportunidade 

Com o Cruzeiro focado na Libertadores, o Fluminense tem a obrigação de vitória, hoje, no Maracanã. Mano Menezes poupará vários titulares para o confronto do meio de semana contra o Universidad do Chile, no Mineirão, e Abel não tem problemas no Flu. Não creio em jogo fácil, mas o tricolor precisa desses três pontos para compensar a derrota na estreia.

Perigo 

Joguinho mais enrolado tem o Botafogo. Derrotado na estreia, pelo América MG, e jogando em casa, o Sport fará tudo para se recuperar na Ilha do Retiro. A equipe pernambucana é tecnicamente inferior à do Glorioso, mas pode, sim, complicar a vida dos campeões cariocas. Ainda mais se Alberto Valentim escalar três volantes e optar pelos contra-ataques.

Foco no Brasileiro 

Virtualmente eliminado da Libertadores, o Vasco de Zé Ricardo escalará força máxima contra a Chapecoense. Faz bem. Só não entendi a barração de Erazo (para a entrada de Werley), com a manutenção do limitadíssimo Paulão na zaga. No mais, Pikachu volta para o ataque, com a entrada de Rafael Galhardo, e Rildo toma a vaga de Evander. A pior notícia, porém, veio de São Paulo. Diego Souza não voltará. Seria um ótimo reforço.

Diferença abissal 

Assisti à goleada do Barcelona sobre o Sevilha, na final da Copa do Rei e, no intervalo, dei uma espiada em Bahia x Santos, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Desnecessário falar no abismo técnico entre os dois jogos, mas algo me chamou especialmente a atenção: nos 15 minutos que vi da partida em Salvador, houve mais centros altos sobre a área do que nos 90 disputados em Madri. Detalhe: os cinco gols do Barça saíram em jogadas de pé em pé. Chuveirinho é coisa de quem não sabe jogar bola. Como a maioria dos nossos times nos dias de hoje.

Craque eterno 

Em tempo: que pena que o genial Andres Iniesta está em final de carreira – ao término da Liga Espanhola deverá se transferir para o futebol chinês. Fez mais uma partida perfeita ontem, marcando, de quebra, um golaço. O estádio lotado cantou o seu nome em coro, quando balançou a rede e quando foi substituído, nos últimos minutos, com os olhos cheios d’água. Phillippe Coutinho jogou bem: deu o passe para o primeiro gol, marcado por Suarez, e fez, de pênalti, o último, fechando a goleada de 5 a 0.

Missão impossível 

O búlgaro Grigor Dimitrov fez um belo primeiro set, mas mesmo assim perdeu. No segundo, levou um baile de Rafael Nadal, que disputa hoje, contra o japonês Kei Nishikori (que eliminou Sasha Zverev, de virada) a sua décima segunda final no Masters 1000 de Monte Carlo, torneio que já conquistou dez vezes. A única decisão que perdeu no saibro monegasco foi para Novak Djokovic, em 2013. Duvido que aconteça de novo, hoje.

Hombre?!?! 

Na relação de goleiros do Flamengo que citei, na coluna de ontem, a pretexto de falar da despedida de Júlio César, acabei me esquecendo de Dominguez, grande goleiro argentino que, já em final de carreira, defendeu o Fla, em 1968 e 69. Já não tinha a agilidade dos tempos em que defendeu a seleção de seu país e o Real Madrid, mas teve seus bons momentos, que, infelizmente, acabaram esquecidos na final do estadual de 69 (Flu 3 x 2 Fla), quando falhou no primeiro gol tricolor, de Wilton, e ainda foi expulso ao reclamar veementemente com o juiz Armando Marques. Eu estava no Maracanã e vi a falha e o descontrole. 

Reza o folclore da época que Dominguez teria corrido para cima do Armandinho, berrando, enfurecido: “Hombre, fue falta”! 

E o afetado juiz, de dedinho, em riste: “HOMBRE? No! Fuera”! 

Se o inusitado diálogo ocorreu ou não, impossível dizer. Fato é que, depois desse jogo, começaram a correr, na Gávea, boatos de que o goleiro teria se vendido (não acredito) e pouco depois o Flamengo tratou de se livrar dele.

Lamentável 

Quando até uma furreca final de Taça Rio, sub-20, termina em pancadaria generalizada, você percebe que está tudo errado no nosso futebol. Desde as categorias de base.

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