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Melhor que a vitória, o desempenho

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Foi bom vencer a Alemanha, no primeiro jogo após aquele inesquecível e humilhante 7 a 1, na semifinal da Copa de 2014, no Brasil. Ainda que tenha sido num amistoso e contra uma equipe cheia de reservas. Pouco importa. Graças a esse resultado, conquistado na casa dos campeões mundiais e quebrando uma invencibilidade deles que perdurava desde 2016, por 21 jogos, a seleção brasileira, que venceu os seus dois últimos amistosos, antes da convocação final, chegará lá, cheia de moral.

Pessoalmente, o que vi de mais importante no jogo de ontem em Berlim, não foi nem o gol, nem o próprio triunfo, mas a forma de jogar do time de Tite. Marcando o adversário por pressão, em seu próprio campo, compactando as três linhas (quase nunca havia mais de 30 metros entre a zaga e o ataque) e defendendo e atacando com praticamente todos os jogadores, ao mesmo tempo. Um futebol extremamente moderno e competitivo. Digno de aplausos.

A partida em si foi um autêntico jogo de xadrez tático. Pouquíssimos espaços deixados nos dois lados e, consequentemente, poucas foram também as oportunidades claras de gol. O Brasil criou mais e deu bem mais trabalho ao (fraco) goleiro Trapp (o terceiro na hierarquia de Joachim Low, atrás do titular Neuer, que está se recuperando de duas fraturas, e de Ter Stegen, titular do Barcelona) do que foi exigido Alisson.

A vitória, portanto, foi justíssima. Apesar de o gol, marcado de cabeça por Gabriel Jesus ter saído de um frangaço do tal Trapp (alhão). Jogando sem Müller, Ozil e Khedira, para falar apenas dos mais famosos, a Alemanha, em termos ofensivos, pareceu até time carioca. Só fez jogar bola alta na área, onde Thiago Silva e Miranda não perderam uma.

De preocupante, na seleção brasileira, apenas a péssima forma, uma vez mais evidenciada, de Daniel Alves. Não acertou quase nada e errou vários passes que armaram contra-ataques dos alemães. Está muito mal. E o pior é que não tem reserva à altura – disputar um Mundial com Fágner é de dar calafrios até nos mais fanáticos corações corintianos.

Gabriel Jesus também está longe de sua melhor forma. Apesar do gol, perdeu uma oportunidade claríssima, um pouco antes. Errou muitos passes e pouco apareceu no restante do jogo. Mas está evoluindo. Até a Copa, quem sabe, voltará a ser aquele atacante insinuante e talentoso que deixou o Palmeiras e encantou Pep Guardiola.

Os demais jogaram bem, sem que houvesse um grande destaque individual. Paulinho foi eleito o melhor pela TV alemã. Mas o que funcionou mesmo, foi o time brasileiro como um todo. E, aposto, era isso que Tite queria ver nesses dois amistosos. Ainda mais sem Neymar. A seleção está pronta para a Copa, daqui a pouco mais de dois meses. Se ganhará, já é outra história...

Versão esportiva de luxo 

Creio que a escalação de três volantes (Casemiro, Fernandinho e Paulinho) se deveu, principalmente, ao temor de Tite de ver o Brasil sofrer uma nova goleada diante dos alemães – mesmo com reservas. Em condições normais de temperatura e pressão, e com Neymar voltando, devem ficar apenas dois  cabeças de área: Casemiro e Paulinho.

Sei que Fernandinho tem muitos fãs mas o considero uma versão esportiva e luxuosa do modelo Márcio Araújo. Com air bag, teto solar, câmbio automático de sete marchas, etc., mas ainda montado no chassis de um volantão típico. Até sem Neymar, não jogaria com ele, no meio, mas com Douglas Costa (que carimbou seu passaporte para a Rússia) no ataque.

Piada 

E o que foram fazer na seleção Willian José, Talisca e Ismaily? Além de se valorizarem, claro. Para alegria de seus espertos empresários...

Assustador 

É verdade que Lionel Messi, uma vez mais, não jogou (essas dores no adutor...). Mas ainda assim, o que a Espanha fez com a Argentina, no amistoso em Madri, foi assustador: 6 a 1! Os Hermanos nem viram a cor da bola. Jorge Sampaoli deve estar até agora perguntando se alguém anotou a placa. Isco, do Real Madrid, e Iniesta, do Barcelona, estão jogando uma barbaridade. O madridista marcou três dos seis. “La Roja” chegará ao Mundial da Rússia como fortíssima candidata ao título.

Já a Argentina, com esse goleiro e essa zaga... Só se Messi fizer milagres em série. Mas a sensação que tenho é  que La Pulga encerrará a carreira sem conquistar aquilo que tornou Maradona, deus na Argentina. E sem isso, ao menos no seu país, jamais será considerado melhor que Don Diego.

Obrigação 

Reportagem do UOL mostrando que só com cinco jogadores (Diego, Éverton Ribeiro, Diego Alves, Paolo Guerrero e Henrique Dourado), o Flamengo gasta mais do que o Botafogo, com todo seu elenco, apimentou a semifinal do carioquinha. Se o Glorioso eliminar o Mais Querido (que entra com a vantagem do empate), a temperatura esquentará na Gávea.