Na manchete do JB, em 1959, a importância de Maria Esther Bueno para o esporte brasileiro

A relevância de Maria Esther Bueno para o esporte brasileiro era tão grande que ela chegou a ser comparada a Pelé. O Brasil se despediu, ontem, de sua maior atleta de todos os tempos, que colocou o país no mapa do tênis internacional e se tornou o principal ícone brasileiro no esporte, com direito a 19 títulos de Grand Slam. Vítima de um câncer na boca que se alastrou para outras partes do corpo, ela faleceu aos 78 anos, no Hospital Nove de Julho, em São Paulo. O velório será hoje, a partir das 8h, no salão oval do palácio do governo paulista.

Maria Bueno, como ficou conhecida internacionalmente, seguiu praticando o esporte que a consagrou até os últimos meses de sua vida, além de comentar jogos no canal SporTV. Só largou a raquete em abril, há dois meses, quando o câncer começou a debilitá-la em vários órgãos. Um ano antes, havia retirado câncer no lábio, e depois ainda precisou passar por sessões de radioterapia no Hospital Albert Einstein para tratar o tumor que se espalhara pela garganta. 

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São muitas as conquistas que fizeram de Maria Esther Bueno uma pioneira em sua área. No Clube de Regatas do Tietê, na capital paulista, a “Bailarina” – apelido que ganhou pela plástica de seu jogo – iniciou a trajetória que culminou em seus 19 títulos de Grand Slam – sete em simples, 11 em duplas e um em duplas mistas. Em simples, ocupa o 12º lugar entre as tenistas mais vencedoras da história. Maria Esther permanece e ainda permanecerá por muitos anos como a única do país a ter vencido os títulos mais importantes do tênis.

Em palestra no Departamento de Ortopedia da Santa Casa de São Paulo, em agosto de 2011, a maior atleta brasileira de todos os tempos rejeitou o rótulo de ex-tenista. “No Brasil, como tudo mundo sabe, o que conta é o agora. Sempre que falam de mim, é ‘ex-tenista’, ‘ex-aquilo’, ‘ex-aquilo outro’. Para ‘ex’, não tem muito patrocínio. Mas continuo contente com o que estou fazendo”, declarou.

Trajetória vencedora

Logo aos 18 anos, em 1958, Maria Esther Bueno faturou seu primeiro título de Grand Slam, nas duplas de Wimbledon. No ano seguinte, inaugurou a contagem de sete Grand Slams de simples. Primeiro com o troféu em Londres, e depois no US Open. Era só o começo de uma trajetória que marcaria para sempre a história do esporte. 

Ao fim de 1959, Maria Esther foi eleita número um do mundo, feito que repetiria em 1960, 1964 e 1966. A criação do ranking da WTA se deu apenas em 1975. E o 29º lugar alcançado pela multicampeã em 1979 ainda é o melhor do tênis brasileiro feminino na era profissional. 

O ano de 1960 foi mágico para Maria Esther Bueno e o melhor de sua carreira. Ganhou todos os quatro Grand Slams nas duplas, e também triunfou nas duplas mistas de Roland Garros. De quebra, a brasileira conquistou o bicampeonato de simples em Wimbledon, torneio no qual triunfaria novamente em 1964. Só não defendeu o tricampeonato consecutivo em 1961 porque teve hepatite.

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“O tênis perde muito, mas, para mim, é uma perda pessoal. Eu tinha um carinho extremo pela Maria Esther” THOMAZ KOCH Ex-tenista

“Maria Esther vai deixar saudade e uma lição. Nossos ídolos precisam ser tratados com muito mais dignidade” FERNANDO MELIGENI Ex-tenista

“Por onde Maria Esther passava, víamos o carinho do mundo inteiro com ela. Principalmente em Wimbledon” BRUNO SOARES Tenista

“Dentro e fora da quadra sempre mostrou muita luta. Foi uma pessoa muito boa, fez bem para o esporte” BIA HADDAD Tenista

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19 TÍTULOS DE GRAND SLAM 

SIMPLES: Wimbledon (1959, 1960 e 1964) e US Open (1959, 1963, 1964 e 1966) 

DUPLAS FEMININAS: Wimbledon (1958, 1960, 1963, 1965 e 1966), Austrália (1960), Roland Garros (1960) e US Open (1960, 1962, 1966 e 1968) 

DUPLAS MISTAS: Roland Garros (1960)

Com supervisão de Mauricio Fonseca