Messi encara descobridor que o "resgatou" da Espanha em 2004

Atual técnico da Colômbia foi importante para impedir que a seleção espanhola levasse Messi

Em junho de 2004, quase ninguém na Argentina havia ouvido falar de Lionel Messi. Na Europa, porém, o garoto de 17 anos das categorias de base do Barcelona já era sondado para defender a seleção espanhola. Quem impediu que isso acontecesse foi José Pekerman, que assistiu a um jogo contra o Alcorcón e decidiu: a Argentina não podia perder aquele jogador. Pekerman ligou para Hugo Tocalli, seu sucessor como técnico da seleção Sub-20, e fez um pedido: convoque Messi. Agora.

Tocalli tinha que entregar uma lista de convocados dois dias depois e sequer sabia quem era o tal "Leo", como o chamavam. Mas atendeu ao pedido de seu mentor e, logo, Messi estreava com a camisa da Argentina, em um amistoso contra o Sub-20 do Paraguai, jogando com garotos dois anos mais velhos. O placar apontava 2 a 0 quando ele entrou. Terminou 8 a 0, e ele fez o sétimo gol.

É impossível dizer com certeza, mas, se Messi hoje defende a Argentina e não a Espanha no futebol, muito se deve a José Pekerman. O hoje técnico da seleção colombiana encara seu ex-pupilo nesta sexta-feira, a partir das 20h30 (de Brasília), em Viña del Mar, quando as duas equipes se enfrentam pelas quartas de final da Copa América. E sabe que o feitiço pode virar contra o feiticeiro.

"Messi é o melhor do mundo, sem dúvidas", elogiou Pekerman. "Para o jogo, eu lhe diria que nós temos que ganhar (risos). Mas sempre sonhei que ele fosse o que hoje ele é, que consolidasse o que pensamos dele quando tinha apenas 17 anos".

A influência de Pekerman na vida de Messi não parou por aí. Poucos meses depois daquele amistoso, o treinador assumiu a seleção principal da Argentina e chamou o garoto, que àquela altura já havia participado de torneios de base pela seleção e estreado pelos profissionais do Barcelona. Com Pekerman, Messi estreou pela seleção principal em um amistoso contra a Hungria em 2005. Foi expulso segundos depois de entrar em campo por deixar o braço no rosto de um marcador.

"Ele (Messi) sabia do plano quando o incorporamos à Sub-20, e logo em seguida passou à seleção principal", lembrou Pekerman. "Ainda não estava consolidado no Barcelona, mas minhas intenções eram levá-lo à Copa do Mundo (de 2006). Era um time que vinha bem nas Eliminatórias, com Crespo, Palacio, Saviola, Aimar... Eu disse a ele que aproveitasse essa geração para crescer, por que ele não teve muita experiência na Argentina".

E o técnico cumpriu a promessa: convocou Lionel Messi aos 19 anos para a Copa de 2006. Naquela época, porém, "descobrir" Messi já não era nenhum grande feito. O jovem já encantava o mundo como titular do Barcelona, formando ataque com Ronaldinho e Eto'o, e era visto como uma das maiores promessas do planeta. Pekerman, porém, é até hoje lembrado por não lançar o jovem jogador nas quartas de final contra a Alemanha, preferindo o veterano centroavante Julio Cruz, no jogo em que a Argentina caiu nos pênaltis.

"Foi uma aparição fantástica", recordou Pekerman sobre aquela Copa. "Eu disse a ele: já vi tantos jogadores, e nunca vi nenhum com suas qualidades. Foi uma relação ótima, e naquela Copa ele conseguiu fazer um gol (na vitória por 6 a 0 sobre Sérvia e Montenegro, na primeira fase). Ele ficou muito triste quando fomos eliminados, essa imagem foi dura, correu o mundo. Ele sempre queria ganhar tudo. Essa é a recordação que tenho de Messi".

Pekerman se foi da seleção, mas Messi ficou. Hoje, aos 28 anos e quatro vezes eleito o melhor jogador do mundo, o camisa 10 terá a missão de desbancar o time de seu "descobridor". Grande astro da Copa América até aqui, o argentino ainda não produziu uma atuação fenomenal e tem só um gol marcado, de pênalti.

Será que ele está guardando o melhor para as quartas de final? Pekerman pode descobrir novamente. Desta vez, porém, da pior forma possível: como adversário do craque que ele próprio ajudou a criar.