Blatter acusa Uefa de promover 'campanha de ódio'

"Eu perdoo tudo, mas não esqueço", disse o presidente da Fifa

Reeleito para seu quinto mandato consecutivo na presidência da Fifa, Joseph Blatter deu neste sábado (30) uma coletiva de imprensa em Zurique, na Suíça, durante a qual mostrou ressentimento contra seus opositores e negou qualquer possibilidade de mudança nas próximas Copas do Mundo.

    A primeira na linha de tiro foi a Uefa, que, segundo o cartola, realizou uma campanha de ódio contra ele. Após as prisões de sete cartolas ligados à Fifa na última quarta-feira (27), a entidade comandada por Michel Platini passou a cobrar publicamente uma renúncia de Blatter e declarou apoio ao candidato derrotado nas eleições para a presidência da confederação, Ali bin Al Hussein.

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    "Da parte da Uefa e do seu presidente, houve uma verdadeira campanha de ódio contra mim. Eu perdoo tudo, mas não esqueço", declarou o suíço para a emissora local "RTS". Em seguida, o mandatário acusou os Estados Unidos e a Inglaterra de o atacarem por terem perdido a disputa para sediar os Mundiais de 2018 e 2022.

    As prisões da última quarta, realizadas em Zurique, foram efetuadas a pedido do FBI, a polícia federal norte-americana, que conduz as investigações do escândalo de corrupção no futebol internacional. "Estados Unidos e Inglaterra eram candidatos a receber as Copas do Mundo dos próximos anos e perderam. Nada me convence de que seus ataques foram apenas coincidência", afirmou.

    Além disso, o presidente fez questão de garantir que a Rússia e o Catar serão mantidos como sedes dos dois próximos Mundiais, apesar das acusações de compra de votos no processo de escolha. 

O caso 

Na última quarta-feira, sete cartolas ligados à Fifa foram detidos em Zurique a pedido do FBI, que investiga crimes de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro. Entre eles, está o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.

    As suspeitas recaem sobre mais de US$ 100 milhões que teriam sido movimentados nos últimos 20 anos no sistema bancário norte-americano. Os valores referem-se a contratos de marketing, direitos televisivos e organização de competições. Marin, por exemplo, teria recebido milhões de dólares em propinas em troca de acordos envolvendo a Copa América e a Copa do Brasil. (ANSA)