Nova geração de técnicos pode "oxigenar" futebol brasileiro

O futebol brasileiro está longe de conseguir a renovação que tanto precisa. Há anos o campeonato tupiniquim mostra um atraso espantoso em relação ao que é visto no mundo inteiro. Todos entendem que "7 a 1" foi pouco diante de tantos problemas. Mas há uma nova tendência que pode "oxigenar" o Campeonato Brasileiro de 2015: técnicos de uma nova geração estão assumindo os principais clubes do País e podem dar novos ares ao futebol que é visto na Série A. É claro que a inexperiência pode pesar contra eles, mas é sempre melhor olhar pelo aspecto positivo.

A última grande novidade aconteceu no Grêmio: o técnico mais prestigiado dos 20 times da Série A, Felipão, foi demitido na semana passada e terá como substituto Roger Machado, um treinador de 40 anos, que só virou profissional no ano passado. É uma evidente mudança de filosofia no clube gaúcho, que não é o único pensando assim: outros treze clubes apostam em fórmulas parecidas, sendo que apenas quatro contam com técnicos surgidos na década de 90 ou antes.

Vamos "dar nomes aos bois": Levir Culpi (Atlético-MG), Tite (Corinthians), Hélio dos Anjos (Goiás) e Oswaldo de Oliveira (Palmeiras) são os únicos "medalhões" entre os 20 clubes da Série A. Todos outros são técnicos que podem ser apontados como novidades.

Quatro deles até têm experiência, mas só recentemente ganharam chances em times grandes do Brasil. Milton Mendes (Atlético-PR), Gilson Kleina (Avaí), Guto Ferreira (Ponte Preta) e Diego Aguirre (Internacional) trabalham na função há quase quinze anos, mas já representam alguma novidade no futebol brasileiro.

Todos os outros times, mesmo gigantes, como Cruzeiro, Santos e Vasco, resolveram apostar em técnicos que começaram a treinar times, no mínimo, em 2007. O primeiro representante dessa geração é justamente o mais bem sucedido e mais velho: Marcelo Oliveira tem 60 anos, mas só virou técnico há oito e conseguiu o bicampeonato brasileiro pelo Cruzeiro recentemente.

Chama atenção a baixa média de idade dos técnicos: 48,3 anos. Com exceção de Marcelo Oliveira, todos técnicos da nova geração estão com menos de 50 anos. É claro que não basta ser novo para ser bom, mas não é coincidência o fato de alguns destes "jovens" mostrarem novas ideias no futebol brasileiro e conquistarem a preferência de dirigentes.

Para quem gosta de futebol ofensivo é fácil identificar técnicos com essa filosofia, como Marcelo Fernandes (Santos) e Doriva (Vasco). Se alguém precisa de um time mais fechado na defesa, Hemerson Maria (Joinville) e Argel Fucks (Figueirense) são boas pedidas. Existe também aqueles estudiosos, que criam elencos bem organizados taticamente, como Diego Aguirre (Internacional) e Guto Ferreira (Ponte Preta). Outros possuem até credenciais fortes para trabalhar com jovens das categorias de base, como Marquinhos Santos (Coritiba) e Enderson Moreira (Fluminense).

Mas é claro que nem sempre os dirigentes levam em conta esses perfis ou as idades dos técnicos. O que tem pesado também é o aspecto financeiro, já que muitos clubes estão com dificuldades para pagar salários dos jogadores e preferem economizar na escolha do técnico. Nomes como Abel Braga, Mano Menezes, Ney Franco e Dorival Junior estavam na Série A do ano passado, mas custam caro demais e terão dificuldades para conseguir emprego novamente. Basta observar que, entre os dois times que estão sem técnicos efetivos, São Paulo e Flamengo, nenhum está priorizando "medalhões" - o tricolor paulista tem buscado uma novidade estrangeira, enquanto o rubro-negro quer outro técnico da nova geração, Cristóvão Borges.

Seja por aspectos financeiros ou perfis de qualidade, existe uma certeza: os novos técnicos serão grandes atrações da Série A de 2015. Vale observar se realmente eles são um indício de renovação do futebol brasileiro.