A gremista Greice Gomes, que sofreu perda momentânea de audição com o estouro de um rojão ao seu lado na Arena Grêmio, desabafou em seu perfil de Facebook e pediu um basta em situações de perigo em estádios brasileiros. A torcedora teve de passar por atendimento médico durante o empate por 0 a 0 com o Fluminense pela Libertadores e prestou ocorrência contra o torcedor que fez o disparo.
Em seu depoimento, a gremista contou detalhes da incidente, agradeceu às pessoas que a ajudaram, mas principalmente fez um apelo para que melhore a fiscalização nos estádios. Ela lembrou do disparo de sinalizador em Oruro, durante o jogo entre Corinthians e San Jose, que matou o jovem Kevin Espada.
"Eu sinceramente não sei onde vamos parar com isso. Quem vai ao estádio apenas para se divertir é quem acaba pagando. O fato que ocorreu na Bolívia não serviu de exemplo? Estou indignada com a situação e com muito medo de que possa ter ocorrido algo mais grave do que a perda momentânea da audição, mas por outro lado estou feliz, pois estou aqui conseguindo escrever isso", afirmou.
Acompanhe o desabafo da gremista:
Olá pessoal! Saíram diversas reportagens sobre o acontecido falando que um rapaz jogou um rojão na Arena do Grêmio ontem à noite e feriu dois, deixando uma mulher com perda momentânea da audição, essa mulher sou eu.
Como de costume, ontem (quarta-feira 10) à noite eu e o Guilherme Costa fomos a Arena do Grêmio assistir o jogo Grêmio x Fluminense. Chegamos por volta das 19h50min, às 20 horas os portões seriam abertos, o que de fato aconteceu. Entramos na Arena e sentamos no setor Gramado Sul. Por volta das 20h40min tiramos a primeira foto desta montagem, um momento feliz que não sabíamos que iria terminar alguns minutos depois. Foi quando um cidadão torcedor do Grêmio resolveu atirar um rojão, que “estourou” ao meu lado esquerdo. Causando uma perda de audição no meu ouvido esquerdo, o que me deixou em pânico.
Fui então encaminhada para o posto de atendimento da Unimed, lá foram feitos alguns exames de triagem, pressão, frequência cardíaca, temperatura e glicose. Fui medicada e liberada. Na saída do posto já estavam me esperando dois senhores do BOE. Fomos então ao posto do BOE fazer a ocorrência, feita a ocorrência, esperamos por aproximadamente 2horas para o encaminhamento ao Jecrim, que se localiza também dentro da Arena.
No Jecrim colocaram Guilherme e eu frente a frente ao acusado de atirar o rojão. Por ter uma lesão corporal junto à ocorrência o Jecrim não pode dar uma sentença. Fomos então ao posto móvel da Polícia Civil (também dentro da Arena), lá fomos ouvidos e levados de Viatura para a 3ª DPPA às 0h30min aproximadamente. Lá ficamos até às 2h30min relatando os fatos e prestando depoimento. Hoje terei que ir ao DML fazer exame de lesão corporal e posteriormente uma audiometria.
Queria muito agradecer ao Soldado do BOE Ricardo Marques por todo atendimento e auxílio prestado. Um rapaz novo e de extrema competência. Agradecer também a um rapaz, advogado (que não pegamos o nome), que era da torcida do Grêmio que deu assistência para nós. E logicamente ao Guilherme que esteve ao meu lado nessas 5h30min.
Eu sinceramente não sei onde vamos parar com isso. Quem vai ao estádio apenas para se divertir é quem acaba pagando. O fato que ocorreu na Bolívia não serviu de exemplo? Estou indignada com a situação e com muito medo de que possa ter ocorrido algo mais grave do que a perda momentânea da audição, mas por outro lado estou feliz, pois estou aqui conseguindo escrever isso.
Isso NÃO pode mais acontecer!!!!!!!!!!!!!
Aqui fica uma pergunta:
Como alguém consegue entrar com um rojão em um estádio de Primeiro Mundo? Não adianta ter estádio de Primeiro mundo sem segurança de Primeiro Mundo!