A realização de um grande espetáculo da Seleção Brasileira nesta sexta-feira, diante do modesto time da África do Sul, às 16h (de Brasília), no Estádio do Morumbi, parece ser a principal necessidade da equipe verde e amarela no confronto devido ao histórico conturbado na cidade paulista. Ciente disso, o técnico Mano Menezes apelou até para a escalação de um "time do povo", apesar de ter rejeitado o termo "quadrado mágico".
"É a primeira vez que utilizamos essa formação junto com Ramires. Não vamos jogar em quadrado. As figuras geométricas não trazem muitas boas recordações. Melhor do que ser o Lucas, o Hulk ou qualquer outro é manter a ideia de jogo, mudar a característica do jogador. Mantendo a base você não perde isso. E o ideal é ter dois jogadores em cada posição. Talvez esse seja o quarteto tão esperado", disse o treinador.
A rejeição ao termo é explicada devido ao trauma do torcedor brasileiro proporcionado pelo time de 2006, favorito ao título na Copa do Mundo da Alemanha e que decepcionou ao amargar a eliminação nas quartas de final contra a França, vice-campeã da competição.
Na ocasião, o setor ofensivo formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo era considerado um "quadrado mágico" por imprensa e fãs do mundo inteiro, que viam na Seleção do técnico Carlos Alberto Parreira a principal candidata ao troféu. Contudo, a precoce queda ainda antes das semifinais marcou aquela geração, que pecou pelos excessos fora de campo.
Nesta sexta, Mano Menezes optou por escalar sua formação mais ofensiva desde que assumiu a Seleção Brasileira. Com três atacantes - Lucas, Leandro Damião e Neymar -, além de dois meio-campistas ofensivos - Oscar e Ramires -, o treinador manda a campo a formação preferida pelo público justamente no palco mais exigente da Seleção - a cidade de São Paulo.
A Seleção Brasileira possui passado recente conturbado na capital do Estado paulista. Na última apresentação no Morumbi, por exemplo, diversas vaias foram direcionadas à equipe que encarou o Uruguai, em 2007. Ou há 12 anos, em 2000, quando uma "chuva de bandeirinhas" saiu das arquibancadas em direção ao gramado, após revolta pela vitória suada contra a Colômbia. Mas Mano está confiante em que a história não vai se repetir nesta sexta.
"A media de gols nos últimos jogos tem sido três. Isso quer dizer que temos melhorando significativamente. Precisamos ainda acelerar o jogo e ser mais completos como equipe, mas temos que nos acostumar a jogar contra adversários mais fechados", analisou Mano Menezes.