Fabi explica desabafo após ouro e diz: "Não mandei ninguém calar a boca" 

Um gesto marcou a comemoração da medalha de ouro do Brasil no torneio feminino de vôlei da Olimpíada de Londres. Com o dedo indicador da mão direita em riste em frente à boca, a líbero Fabi desabafou e soltou um palavrão, conforme reconheceu em entrevista concedida ao lado de toda a Seleção nesta segunda-feira, logo após o retorno ao país, em um hotel em Guarulhos. 

A jogadora, no entanto, negou que a atitude tenha sido exatamente um cala boca aos críticos, conforme pareceu.

"Eu falei isso aqui é Brasil piiii... palavrão", disse Fabi, soltando o próprio som de "piiii" na hora de relembrar o que havia afirmado. Chorando, a líbero fez o desabafo no último sábado com a bandeira do Brasil e sentada ainda na quadra do Earls Court, logo após a vitória por 3 sets a 1, com parciais de 11/25, 25/17, 25/20 e 25/17, na final olímpica sobre os Estados Unidos. Enquanto levava o dedo à boca e falava com a voz embargada, as companheiras Sheila e Adenizia repetiam o gesto diante das câmeras.

"Eu estava chorando, não me lembro direito do negócio, foi do coração, não mandei ninguém calar a boca, fiz um gesto", justificou Fabi, nesta segunda. "A gente acaba não se contendo e faz o desabafo, não foi para ninguém em especial, mídia, etc. Quando tiver de falar alguma coisa, falo diretamente. Foi para os (outros) times também que podem ter achado que não éramos mais os mesmos".

Campeã olímpica em Pequim 2008, a Seleção Brasileira feminina de vôlei não chegou a Londres como a principal favorita ao título - foi vice-campeã do Campeonato Mundial de 2010 (atrás da Rússia) e das edições de 2010 e 2011 do Grand Prix (em ambas atrás dos EUA). A condição de "zebra" para a equipe dirigida por José Roberto Guimarães aumentou na primeira fase da Olimpíada, na qual o time foi derrotado pelas americanas e pela Coreia do Sul e se classificou apenas com o quarto lugar do Grupo B.

"Acho que as críticas mostram que conquistamos um espaço", afirmou Fabi, minimizando a influência das críticas no desabafo. Neste momento da entrevista, José Roberto interrompeu e comentou o assunto, colocando a mão no braço da líbero e dizendo: "as mais velhas sabem lidar melhor com isso, mas é difícil porque aqui corre sangue". O treinador ainda brincou com a experiente jogadora, de 32 anos e 1,69 m: "e ela é baixinha, então corre mais rápido".