Comitê Rio 2016 já estuda evitar assentos vazios e caos no transporte  

Com cerca de 150 observadores em Londres, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, que será realizado no Rio de Janeiro, está coletando números e demandas que servirão de apoio para o planejamento da edição do Brasil. Com as observações da primeira semana da Olimpíada britânica, Leonardo Gryner, diretor geral do comitê brasileiro, já apontou dois desafios: como manter as arquibancadas sempre cheias e garantir a eficiência do sistema de transportes.

"Queremos criar oportunidades para pessoas que moram no entorno. É um desafio de todos os comitês, queremos fazer melhor que Londres", disse Gryner. O que está em estudo é uma maneira de preencher os lugares ociosos momentos antes das partidas.

Os assentos vazios nos estádios e arenas de competição são o ponto mais criticado da organização dos Jogos de Londres. O Locog (comitê organizador local) se defende dizendo que a maior parte dos lugares que não estão ocupados são para pessoas credenciadas - incluindo convidados, patrocinadores e assentos reservados para fotógrafos e equipes de televisão e rádio com direito de transmissão. Mas, mesmo já na metade da Olimpíada, ainda há 200 mil ingressos de futebol à venda e outros 75 mil das demais modalidades.

O diretor geral do comitê de 2016 aponta ainda a questão do transporte como um dos principais desafios do Rio de Janeiro. "De Londres, um dos principais exemplos que podemos tirar é a disciplina do planejamento feito por eles", diz.

Mesmo com toda a disciplina britânica, colocar toda a logística de transportes em ordem deu muito trabalho aos organizadores antes e nos primeiros dias de Olimpíada. Às vésperas da cerimônia de abertura, por exemplo, taxistas da cidade cruzaram os braços durante greve em protesto à exclusão de uso da faixa olímpica, restrita aos veículos credenciados pelo Locog. Houve ainda relatos de atletas que ficaram por até quatro horas percorrendo ruas da cidade. Com medo de chegar atrasados em competições, outros preferiram algumas vezes até mesmo usar metrô. 

Apesar dos problemas, Gryner faz um balanço positivo em relação ao que está sendo visto na Olimpíada britânica. Segundo ele, a ideia não é copiar o que está sendo feito em Londres, mas usar como base para um projeto original brasileiro, sob a perspectiva de fazer mais e melhor daqui a quatro anos. O dirigente afirma que a análise será feita sobre os números verificados em Londres. Ou seja, sobre o que foi feito e a demanda para aquilo que foi oferecido. "Temos um projeto e é ele que será executado", diz.

O diretor-executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI), Gilbert Felli, afirmou ao Terra que a entidade fará reuniões com os observadores dos Jogos Olímpicos do Rio de 2016 após o dia 12 de agosto, mas ressaltou que os brasileiros têm pontos positivos para se espelhar com a atual edição.

"O clima criado aqui com essa multidão de pessoas é algo para se levar em consideração. O Brasil tem que aproveitar para criar uma atmosfera parecida com o que vimos na primeira semana aqui, com estádios cheios e tudo funcionando de forma perfeita".