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Meia americana cita trauma após Copa do Mundo e vê Brasil favorito

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Mais acostumada a vencer do que ser vencida, a meia Shannon Boxx mantém viva na memória a partida final da Copa do Mundo de 2011, na Alemanha. "Nós nos lembramos muito bem de como foi perder aquele último jogo", contou a jogadora ao Terra, sobre a derrota dos Estados Unidos para o Japão nos pênaltis, após empate por 2 a 2 no tempo normal. Agora, ela usa esse sentimento como incentivo para melhorar ao máximo de olho em sua terceira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Nas duas conquistas anteriores, em Pequim 2008 e Atenas 2004, Shannon Boxx ajudou a seleção americana a vencer o Brasil na final, em partidas que descreve como "batalhas" cheias de lances perigosos e emoção. Para Londres 2012, ela aposta na Seleção Brasileira como adversária à altura novamente, diferente do que experimentou no início de abril, em amistoso no Japão, quando os Estados Unidos venceu com facilidade por 3 a 0. "Elas vão aparecer quando for para valer", apontou Boxx.

Em entrevista exclusiva ao Terra, Shannon ainda comentou sobre a situação do futebol feminino nos Estados Unidos, que apesar de ter uma das principais seleções do mundo sofre com o cancelamento da liga nacional e com dificuldades financeiras, e expôs a pressão interna das companheiros por chegar ao título em Londres. Tudo sem esquecer a fatídica final de Copa do Mundo. "Sei que não queremos ter que sentir esse mesmo sentimento de novo", lamentou a atleta, traumatizada.

Terra: Como está a preparação para os Jogos Olímpicos? Há algum aspecto específico que está focando os trabalhos?

Shannon Boxx: A preparação para a Olimpíada de Londres está ótima. Nós pudemos reunir a equipe muitas vezes este ano e tivemos a oportunidade de enfrentar adversários muito bons na Algarve Cup, em Portugal, e na Kirin Cup, no Japão. Pessoalmente, este ano me sinto em melhor forma, e isso me dá confiança para fazer o que for preciso pelo time em campo. Como equipe, acho que é importante continuar fortalecendo a nossa defesa, que é uma de nossas forças, mas também trabalhar na nossa coesão ofensiva.

Terra: A seleção americana feminina de futebol é uma das melhores do mundo. Quão grande é a pressão para conseguir mais uma medalha de ouro?

Shannon Boxx: Entre as equipes tops, a pressão pela vitória sempre existe. Acho que a maior parte da pressão pela medalha de ouro vem de nós mesmas. Nós queremos jogar, deixar os fãs empolgados e representar o nosso país. Nós chegamos tão perto (do título) na última Copa do Mundo e mesmo assim acabamos com muitos fãs novos, mesmo sem estarmos satisfeitas com o resultado. Nós nos lembramos muito bem de como foi perder aquele último jogo na Alemanha. Sei que não queremos ter que sentir esse mesmo sentimento de novo.

Terra: Você esteve nas duas últimas edições de Olimpíada, quando a seleção americana venceu o Brasil na final. Quais são suas principais lembranças desses confrontos?

Shannon Boxx: Minhas lembranças desses dois jogos é como eles foram uma batalha, cada um deles. Foi um jogo lá e cá, e as chances que as duas equipes criaram deixaram a partida muito emocionante e empolgante.

Terra: Você considera a Seleção Brasileira favorita pelo ouro? A equipe mudou nos últimos anos e, recentemente, foi facilmente derrotada pelas americanas em um torneio amistoso no Japão (em abril de 2012, por 3 a 0).Qual é a sua opinião?

Shannon Boxx: Eu acho que a Seleção Brasileira é sempre uma equipe de ponta. Eu não acho que o time que enfrentamos no Japão é o que podemos esperar para a Olimpíada. Elas vão aparecer quando for para valer, e eu nunca as ignorei em um grande evento.

Terra: Como anda a situação do futebol nos Estados Unidos? Tem sido muito difícil depois do cancelamento da WPS (Liga Americana de Futebol, na sigla em inglês)?

Shannon Boxx: Eu acho que a situação do futebol está melhorando nos Estados Unidos, mas esse é um processo lento. Depois da Copa do Mundo, o futebol feminino ganhou espaço pelo fato de que mais americanos querem nos assistir, mas a gente acabou de ver outra liga feminina sendo cancelada, mesmo depois de uma excelente Copa do Mundo. Eu acho que é muito importante ter uma liga profissional aqui para que possamos continuar evoluindo e avançando com o esporte.