A polêmica entrevista de Rubens Barrichello publicada na edição de maio da revista Playboy não preocupa a Ferrari. Consultado pelo Terra, o diretor de comunicação da escuderia italiana, Luca Colajanni, disse que não vale a pena "desenterrar o passado" e voltar a falar sobre o Grande Prêmio da Áustria de 2002, no qual o brasileiro diz ter sido "ameaçado" pela equipe para ceder a vitória a seu então companheiro, o alemão Michael Schumacher.
Dada a repercussão da entrevista de Barrichello, a reportagem enviou na manhã desta quarta-feira um e-mail pedindo a Colajanni o posicionamento da Ferrari sobre o caso. O diretor rapidamente respondeu com a seguinte mensagem: "honestamente creio que não tenha muito sentido desenterrar o passado: há coisas mais importantes nas quais pensar... Nós sabemos bem como ocorreram as coisas naquele momento e o Rubens sabe também...".
À Playboy, Barrichello não especificou qual a ameaça que afirma ter recebido da equipe vermelha. "Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele (Schumacher) passar. Até que eles (Ferrari) falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla, não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar", disse.
Em 12 de maio de 2002, o brasileiro largou na pole position do GP da Áustria e dominava a prova. Ele vencia quando, já na reta dos boxes, próximo de completar a 71ª e última volta, desacelerou e permitiu a ultrapassagem de Schumacher, que vinha na segunda colocação.
Muitas vaias foram ouvidas no circuito de A1-Ring devido à manobra. Durante a cerimônia de pódio, o alemão insistiu em colocar o parceiro no lugar mais alto e lhe deu o troféu referente ao primeiro lugar da corrida. Poucos dias após a prova, a Ferrari anunciou a renovação do contrato de Barrichello.
Em junho daquele ano, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgou um comunicado no qual "condenava a maneira como as ordens de time foram dadas e executadas" na prova.
"Porém o Conselho Mundial de Esportes a Motor acha impossível sancionar os dois pilotos, porque eles estavam sob contrato para executar quaisquer ordens de equipe", prosseguiu a entidade na época. "O Conselho também reconheceu o tradicional direito de um time de decretar a ordem de chegada de seus pilotos segundo o que se acredita ser o melhor interesse na tentativa de vencer os dois Campeonatos Mundiais (de Pilotos e de Construtores)". Impôs-se, por outro lado, uma multa de US$ 1 milhão conjuntamente a Schumacher, Barrichello e Ferrari por não respeitarem a cerimônia tradicional no pódio.
O GP da Áustria era a sexta etapa da temporada de 2012 da F1. Somados os dez pontos pela vitória e não apenas os seis dados ao segundo colocado até então, Schumacher passou a liderar a classificação geral com 54 unidades. O vice era o colombiano Juan Pablo Montoya, da Williams-BMW, com 27. Barrichello tinha 12 e ocupava o quarto lugar.
No fim do ano, a Ferrari comemorou os títulos do Mundial de Construtores com 221 pontos, contra 92 da Williams. No de Pilotos, Schumacher triunfou com 144, enquanto que Barrichello terminou na segunda posição, com 77. Em setembro de 2002, no GP dos Estados Unidos, em Indianápolis, o alemão retribuiu o "favor" ao parceiro e trocou de posição com o brasileiro nos metros finais da corrida, abrindo mão da vitória. Naquele momento, o quinto título da carreira do piloto germânico já estava assegurado.