Senadora confirma presença de Blatter em audiência sobre Lei da Copa 

A senadora Ana Amélia (PP/RS) confirmou, nesta terça-feira, que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, entrou em contato com membros do Senado Federal afirmando que participará da audiência pública sobre a Copa do Mundo. A reunião, que segue com data indefinida, será promovida pelas três comissões do Senado responsáveis pelo texto final da Lei Geral da Copa, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados.

"O presidente Joseph Blatter confirmou que virá ao Brasil para tratar sobre o assunto. Não temos uma data definida para a sua visita, mas está ajustando a agenda dele para visitar o Senado", afirmou Ana Amélia.

A presença de Blatter foi uma vitória do governo brasileiro na "briga" com os dirigentes da Fifa. Os relatores e presidentes das comissões haviam vetado, na semana passada, a presença do secretário-geral entidade máxima do futebol, Jérôme Valcke, na audiência pública.

Segundo a senadora Ana Amélia, relatora do projeto da Lei Geral da Copa na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, o veto ao secretário foi solicitado em consequência de declarações inadequadas do integrante da Fifa, que disse que o Brasil deveria levar "um pontapé no traseiro" para acelerar a aprovação do texto.

Ana Amélia afirmou na última quarta-feira que as declarações do "sujeito" (referindo-se a Valcke) foram desrespeitosas com o povo brasileiro e que não gostaria de estender um tapete vermelho para "essa figura".

"Foram declarações intempestivas que desrespeitaram não apenas o governo, mas também a todo o povo brasileiro. Então, estender um tapete vermelho para essa figura não seria conveniente neste momento", disse. A senadora reiterou ainda que era preciso garantir a decisão do ministro do Esporte, Aldo Rebelo."O ministro Aldo já declarou que ele não seria interlocutor para temas da Copa, e se o aceitássemos aqui estaríamos todos avalizando esse personagem como o interlocutor", concluiu.

Entenda a polêmica

Em entrevista concedida em 2 de março, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que os organizadores do Mundial de 2014 precisavam de um "pontapé na bunda" para as obras da Copa do Mundo andarem no País, e afirmou que os preparativos brasileiros estão em "estado crítico".

As palavras não foram bem recebidas pelo governo brasileiro, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou em 3 de março que não quer mais Valcke como interlocutor da Fifa para os assuntos relacionados à Copa de 2014. "As declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro", disse Rebelo.

Não é de hoje que Valcke enfrenta rusgas com as autoridades brasileiras. Em comunicado publicado no site da Fifa, o secretário pediu rapidez com a aprovação da Lei Geral da Copa: "o texto deveria ter sido aprovado em 2007 e já estamos em 2012", declarou.

No dia 5 de março, Aldo Rebelo enviou à Suíça uma carta solicitando um novo interlocutor entre o governo brasileiro e a entidade máxima do futebol mundial. De acordo com o ministro do Esporte, "a forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa".

No mesmo dia, Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, também atacou as palavras de Valcke, chamando o secretário-geral da Fifa de "deselegante". "Foi uma declaração que merece na verdade é que a gente dê um chute daqui para lá de volta e que se repudie qualquer declaração desse nível", opinou Maia.

Posteriormente, Valcke publicou carta em que se desculpava pelo incidente que classificou como um mal entendido. Segundo o dirigente da Fifa, o que houve não passou de um erro de tradução, e o Brasil segue seguro como "única opção para sediar a Copa do Mundo".

Aldo Rebelo aceitou o pedido de desculpas, mas disse que "este tipo de episódio não pode se repetir". Ficou ainda acertada uma renião de Blatter com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocorrida na sexta-feira dia 16 de março. Nela, as diferenças foram discutidas e o mandatário da Fifa pediu tempo para resolver o problema Valcke.

Em 3 de abril, porém, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado vetou a presença de Valcke em uma audiência publicada para a qual o presidente da Fifa, Joseph Blatter, havia sido convidado. Valcke substituiria Blatter na reunião que trataria dos preparativos para a Copa de 2014 e da Lei Geral da Copa. O secretário da Comissão, Júlio Linhares, afirmou que a audiência acontecerá em outra data para possibilitar a presença de Blatter. Já a Fifa declarou apenas que não comenta sobre o assunto.