O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se encontrou nesta quinta-feira com representantes do Comitê Olímpico Internacional e evitou repercutir a discussão que teve com Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, nos últimos dias. Em rápida conversa com a imprensa, Rebelo divagou sobre o caso, mas adotou um discurso de perdão à Fifa e afirmou que o governo tem de procurar "harmonia" na organização de eventos esportivos de grande porte.
"O que eu tinha que dizer sobre esse episódio, que eu não desejei e não procurei, eu já disse em uma entrevista coletiva, já disse em uma carta", declarou o ministro nesta quinta-feira, despistando sobre a polêmica com Valcke.
"O governo procura ter relações de cooperação e produtiva com todos os entes", declarou. "O governo tem de procurar harmonia com quem organiza Olimpíada e Copa (do Mundo)", completou.
Quando perguntado sobre o interlocutor da Fifa com o governo brasileiro, cargo ocupado atualmente por Valcke, Rebelo foi breve. "Quem é o interlocutor? Pergunta para a Fifa", disse o ministro, que oficializou o pedido de rompimento com Valcke após a polêmica do "chute no traseiro".
Entenda a polêmica
Em entrevista concedida na sexta-feira (02/03), o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que os organizadores do Mundial de 2014 precisavam de um "pontapé na bunda" para as obras da Copa do Mundo andarem no País, e afirmou que os preparativos brasileiros estão em "estado crítico".
"As coisas não estão funcionando no Brasil. Muitas coisas estão atrasadas... Acho que a prioridade do Brasil é ganhar o Mundial. Não creio que seja organizar a Copa do Mundo", afirmou Valcke.
"Não entendo por que as coisas não avançam. A construção dos estádios não está acontecendo dentro dos prazos. Por que será?", questionou o secretário. "Os organizadores precisam de um pontapé na bunda".
As palavras não foram bem recebidas pelo governo brasileiro, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou no sábado (03/03) que não quer mais Jérôme Valcke como interlocutor da Fifa para os assuntos relacionados à Copa de 2014.
"As declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro. As declarações contradizem completamente com o que o próprio secretário falou em sua visita no dia 17 de janeiro. As informações não são verdadeiras, porque os estádios estão inclusive adiantados ao cronograma inicial da Copa", disse Rebelo.
"Diante dessas declarações, que são palavras inadequadas e inaceitáveis para qualquer tipo de relacionamento, o governo brasileiro vai enviar uma carta ao Blatter informando que não aceita mais o secretário geral, Jérôme Valcke, como interlocutor. O governo brasileiro vai continuar trabalhando com a certeza de que o Mundial será um sucesso", completou o ministro. A reação do secretário da Fifa foi classificar a atitude do governo do Brasil de "infantil".
Não é de hoje que Valcke vive às turras com as autoridades brasileiras. Em um último comunicado publicado no site da Fifa, o secretário pediu rapidez com a aprovação da Lei Geral da Copa: "o texto deveria ter sido aprovado em 2007 e já estamos em 2012", declarou.
No meio do fogo cruzado, o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira, manteve discurso neutro e apenas ressaltou que tudo sairá como o planejado. "Algumas questões na organização da Copa do Mundo podem parecer que avançam lentamente. Mas em todo processo democrático as discussões devem ser amplas e sempre levar em conta os interesses do povo. O Brasil não tem um dono, é uma democracia sólida e reconhecida mundialmente. O país e seus três poderes devem ser respeitados sempre", disse Teixeira na nota.
"As preocupações da Fifa em relação aos preparativos de todas as Copas do Mundo são naturais e legítimas. Mas a entidade pode ficar tranquila porque o Brasil e seu povo têm competência e seriedade para organizar uma Copa do Mundo impecável, inesquecível", completou.