Valor de construção e reforma de estádios para Copa sobe 47%

O valor para a construção dos 12 estádios que serão usados para a Copa do Mundo de 2014 subiu quase 47%, desde a assinatura da Matriz de Responsabilidade, firmada em janeiro de 2010 por Ministério do Esporte, governadores e prefeitos das cidades envolvidas. O levantamento foi feito com base nos dados do Tribunal de Contas da União (TCU) e Portal da Transparência da União.

O valor inicial previsto seria de R$ 5,3 bilhões, mas as mudanças de estádios e o aumento dos valores finais contratados fizeram o valor subisse para R$ 7,8 bilhões, incluindo os valores aplicados pela iniciativa privada em parcerias entre clubes ou parcerias público-privadas (PPPs). O BNDES e os governos estaduais devem aplicar ao menos R$ 4,8 bilhões nos estádios.

Segundo o relatório do TCU divulgado no final da semana passada, algumas cidades-sedes como Natal, Manaus, Cuiabá e Brasília correm o risco de ficarem com "elefantes brancos" após a competição, já que a rentabilidade pode não arcar com os custos de manutenção - como é o caso da Arena da Baixada, em Curitiba, cujo custo mensal deve fica na casa dos R$ 230 mil. Em alguns casos, como de Rio de Janeiro e Manaus, foram encontrados problemas nos projetos-base e sobrepreço.

A falta de pessoal qualificado do BNDES para análise técnica dos projetos de engenharia das obras foi outro problema apontado pelo TCU, o que pode fazer com que sejam aprovados projetos que não condizem com a realidade da empreitada.

O banco deve financiar pelo menos R$ 3,3 bilhões para a construção dos estádios, inclusive aqueles cujas obras são tocadas pela iniciativa privada, como é o caso do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e do Itaquerão, em São Paulo.

Maracanã

O custo estimado para a reforma do Estádio Mário Filho (Maracanã) era de R$ 600 milhões. No entanto, o valor subiu para R$ 705 milhões, sendo R$ 400 milhões do BNDES. Em junho do ano passado o governo do Rio elevou o valor para R$ 956,8 milhões, mas após auditoria conjunta da Controladoria Geral da União (CGU) e TCU, o valor baixou para 859,4 milhões. O TCU encontrou falhas no projeto básico e apontou descumprimento das exigências do BNDES. O tribunal pediu que o banco informasse quais medidas estavam sendo tomadas junto ao governo do Estado para sanar problemas no estudo de viabilidade econômica, indícios de irregularidades no processo de licitação da obra, entre outros. Pouco mais de um quarto da obra foi executada.

Arena São Paulo (São Paulo, SP)

Inicialmente o estádio usado seria o Morumbi, do São Paulo Futebol Clube, cujas reformas custariam R$ 240 milhões, sendo R$ 150 milhões do BNDES. No entanto, o novo estádio do Corinthians, apelidado de Itaquerão, foi o escolhido - o que fez com que o valor saltasse para R$ 883,5 milhões (R$ 400 milhões do BNDES), apesar de não haver carta protocolada no banco para o financiamento. Cerca de 23% das obras já foram executadas.

Mineirão (Belo Horizonte, MG)

A reforma e adaptação do Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte, estava estimada em R$ 426,1 milhões; no entanto, a proposta vencedora foi de R$ 743,4 milhões, sendo R$ 400 milhões financiados pelo BNDES. Pouco mais de 35% da obra já foi executada.

Fonte Nova (Salvador, BA)

A reforma da Arena Fonte Nova passou de R$ 591,7 milhões para R$ 1,6 bilhão, valor que será pago pelo governo baiano em parcelas anuais de R$ 107 milhões durante 15 anos, incluindo R$ 323,6 milhões já aprovados do BNDES. A fiscalização do Tribunal de Contas do Estado da Bahia apontou precariedade administrativa do modelo adotado, prazo de concessão de PPP demasiadamente grande (35 anos), valor superestimado de contraprestação pública, falhas nas estimativas de custo da parceria e da obra. As obras já estão 37,5% concluídas.

Arena da Amazônia (Manaus, AM)

O valor inicial previsto para a obra era de R$ 515 milhões. A proposta vencedora foi de 499,5 milhões, mas o valor atual é de R$ 543 milhões, sendo R$ 400 milhões do BNDES. A fiscalização do Tribunal de Contas do Estado apontou projeto básico incompleto e deficiente, subcontratação de empresa para a realização do projeto básico, falta de critérios de preço para serviços adicionais e sobrepreço. O projeto apresentado pelo governo do Amazonas está sendo avaliado pelo TCU.

Beira-Rio (Porto Alegre, RS)

A reforma do Estádio Beira-Rio, orçada inicialmente em R$ 130 milhões, deve custar R$ 330 milhões - com a possibilidade de financiamento de 70% desse valor pelo BNDES, valor seria repassado através do banco Banrisul. No entanto, as obras estão paradas por causa da demora na negociação entre a construtora Andrade Gutierrez e o clube. A empreiteira reclama da demora do banco gaúcho em aprovar o financiamento, mas o presidente da comissão de obras do Inter, Luis Anápio Gomes, diz que a assinatura deve sair ainda nesta semana, data limite imposta pelo Comitê Organizador Local (COL).

Estádio Nacional (Brasília, DF)

Diferente do que aconteceu com a maioria dos estádios, em Brasília o valor estimado de R$ 745,3 milhões caiu para R$ 671 milhões após intervenções do Ministério Público. R$ 400 milhões virão do BNDES. A obra é tocada pelas empresas Andrade Gutierrez e Via Engenharia. Cerca de 42,50% da obra foi realizada.

Arena das Dunas (Natal, RN)

A construção do estádio com capacidade para 45 mil lugares estava orçado em R$ 350 milhões, mas o valor subiu para R$ 417 milhões, sendo 396,57 milhões do BNDES. A execução da obra está em 11%. A fiscalização do TCU ainda não foi iniciada.

Castelão (Fortaleza, CE)

O valor previsto para a reforma do Estádio Castelão baixou de R$ 623 milhões para R$ 525 milhões, divididos em R$ 486,9 milhões imediatos e mais R$ 407 mil mensais durante oito anos (R$ 39 milhões). Mais de metade da obra foi executada.

Estádio Arena do Pantanal (Cuiabá, MT)

A Arena Verdão, como é chamado o estádio, teve valor inicial estimado em R$ 454,2 milhões, mas o custo atual é de R$ 518,9 milhões, segundo o Portal da Transparência da União e R$ 342 milhões, segundo o TCU. Desse total R$ 285 milhões vem do BNDES. O custo por assento é R$ 8,4 mil mais baixo do que o das outras arenas.

Cidade da Copa (Recife, PE)

Apesar do valor inicial de R$ 529,5 milhões, a proposta vencedora foi de R$ 464 milhões, segundo o TCU, e R$ 500 milhões, segundo o Portal da Transparência. Desse total, R$ 400 milhões virão do BNDES. Pouco mais de 21% da obra foi executada.

Arena da Baixada (Curitiba, PR)

O custo inicial subiu de R$ 184,5 milhões para R$ 234 milhões. Segundo o Atlético-PR, para atender as exigências da Fifa no que diz respeitos a instalações elétricas, iluminação de campo e ar-condicionado, a despesa mensal passará e R$ 230 mil mensais. Cerca 5% da obras foi executada.