Oswaldo de Oliveira analisa primeiros dias de trabalho no Botafogo 

O primeiro mês passou voando. Há pouco mais de 30 dias, Oswaldo de Oliveira arregaçava as mangas para comandar seu primeiro treinamento no Botafogo. De lá para cá, o time já realizou sua pré-temporada, marcou 14 gols em cinco partidas pela Taça Guanabara e conquistou suas três primeiras vitórias pelo Estadual, além de manter a invencibilidade. 

Apenas o início de um trabalho promissor de um treinador com 13 títulos no currículo, entre eles, um Mundial de Clubes e um Brasileiro.

Satisfeito com seus primeiros dias no Brasil após cinco anos de Japão, Oswaldo fez um balanço do seu começo de trabalho no Botafogo em entrevista ao Site Oficial. E fez questão de mostrar sua felicidade com o recomeço no Rio de Janeiro.

Oswaldo, qual o balanço que você faz do período entre o dia do primeiro treinamento e hoje?

Em primeiro lugar, fiquei muito feliz de ter vindo para o Botafogo. Era um clube que eu já conhecia, onde já havia trabalhado como preparador físico. E era o único grande do Rio que eu ainda não havia treinado. E, quando cheguei aqui, fiquei muito feliz por encontrar um Botafogo completamente modificado. Ainda não trabalhei num clube brasileiro com a consistência que o Botafogo exibe hoje. Já passei por grandes clubes, com infraestrutura, grandes receitas e possibilidades financeiras, mas em nenhum tão equilibrado. Hoje considero o Botafogo o melhor clube que já trabalhei no Brasil. 

E a estrutura que encontrou?

Temos uma estrutura boa sem ser suntuosa, uma estrutura prática, viável, que facilita muito o trabalho. Encontrei também uma administração, partindo do presidente - em que pese ser vibrante, torcedor - uma pessoa equilibrada e, acima de tudo, com muita boa intenção no coração. Isso é muito importante. E, olhando abaixo dele, encontrei uma administração no futebol com todos os departamentos bem encadeados e que têm facilitado muito o meu trabalho, com profissionais de altíssimo nível em todas as posições. Temos um departamento financeiro saudável, que cumpre com as coisas que assume. Vejo também um departamento de marketing atuante, criativo, procurando novidades para agradar nossos torcedores e conquistar outros. Estou muito feliz de participar dessa estrutura. Estou trabalhando com muita motivação, e tenho certeza que caminhamos a passos largos para dar tudo certo. 

Quais as suas primeiras impressões do elenco?

O elenco é muito bom. Já conhecia de longe. Acho um grupo capaz, mas, como qualquer outro, precisa ser enriquecido. Nós estamos muito verdes aqui, porém já trabalhando para que esse processo aconteça de forma racional e bem colocada. Precismos acertar nas escolhas que fizermos.

Depois de tanto tempo e reconhecimento no Japão, como foram os primeiros 30 dias no Brasil? Um recomeço?

Tenho sentido alguma dificuldade, sim. O Japão não tem só um futebol organizado, é  um país maravilhoso. É doce viver lá. Uma delícia para quem gosta de viver equilibradamente, disciplinadamente, com correções, sem injustiças... É um país maravilhoso, onde fui muito feliz, além da parte profissional. Ainda sinto algumas diferenças, mas, por outro lado, vivi muito mais tempo no Brasil, então não estou sentindo tanta dificuldade. Minha readaptação foi quase imperceptível. Cheguei, baixei e saravei. Esse acolhimento aqui do Botafogo me ajudou muito nisso. Afinal de contas, voltei para meu país, voltei para minha família, para minha cidade, onde gosto de viver e estar. E voltei para um clube pelo qual eu já tinha muito carinho e que está me dando todas as condições. Isso não me faz esquecer o Japão, porque as lembranças de lá são maravilhosas. Mas eu não vivo triste. Muito pelo contrário, estou muito feliz de estar aqui.

Já matou um pouco da saudade do Brasil? 

Claro que tinha saudade. Mas lá no Japão a gente tinha muita facilidade de conseguir o feijão, por exemplo, que muita gente sente falta. São mais de 300 mil brasileiros no Japão, então não sentia muita falta. O chope que é um pouco mais forte, pega um pouco mais (risos). Mas era muito bom também.

Sempre que questionados, os jogadores sempre fazem questão de elogiar seu trabalho, além da confiança que têm em você também pelo currículo vitorioso. Como é trabalhar com todo esse respeito por parte do grupo? 

Eu acho muito legal. Sempre ressaltei duas coisas do futebol japonês: obediência e disciplina. Voltando para o Brasil, vejo que já não estamos tão longe quanto estávamos no passado. Esse grupo do Botafogo, especialmente, tem jogadores aplicados. É lógico que eles têm dificuldade aqui ou ali, mas estão sempre tentando fazer as coisas da melhor forma. Se eles me respeitam pela minha capacidade, a recíproca é verdadeira, porque eu também os respeito pelos mesmos motivos. Além de exibirem uma condição técnica muito boa para facilitar o meu trabalho, eles estão seguindo à risca e buscando sempre melhorar.

É uma vantagem para o seu trabalho?

Não tenha dúvida. É uma vantagem muito grande, porque há uma possibilidade maior de se alcançar o que se quer quando há um entendimento e uma busca do mesmo objetivo entre a comissão técnica e o grupo de jogadores.

Um dos jogadores em que a torcida mais deposita suas esperanças é o atacante Jobson. Como tem sido sua relação com o atleta até agora? 

Nossa relação tem sido muito boa. Ele tem realmente se dedicado bastante. Mas há uma necessidade muito grande de que ele não tenha uma recaída, e estou muito atento a tudo que ele tem feito. A gente sabe que tem que ter cuidado. Até agora está tudo indo muito bem, mas eu não me desligo. Estou muito atento e preocupado, sim, porque trata-se de um jogador especial.

E qual sua expectativa para quando ele estiver à disposição, daqui a um mês?

Estamos intensificando bastante o trabalho dele para que ele chegue na data em boas condições de jogo. Inclusive, nós vamos tentar agora marcar alguns jogos-treino para ele participar. A gente usa esses jogos sempre para botar para funcionar quem não está atuando ou joga pouco tempo, mas usaremos também para que o Jobson tenha a oportunidade de adquirir ritmo.

Neste primeiro mês de trabalho, o jogo mais importante foi o empate com o Flamengo. Qual a sensação de disputar pela primeira vez um clássico no Carioca?

Foi muito legal, fiquei muito feliz naquele dia. A gente no futebol vive sonhando com isso. Vi muitos Botafogo e Flamengo na minha vida, na minha infância. É um clássico que tem um histórico de grandes decisões, de jogos que me envolvi muito como torcedor e, depois, como profissional. Pena que a gente não fez um golzinho. Merecíamos. O Botafogo foi bem melhor naquele jogo e, se nós tivéssemos uma vitória, eu ficaria duplamente satisfeito. 

Tradicional celeiro de craques do futebol brasileiro, a base do Botafogo tinha dificuldades em revelar talentos para o time profissional há alguns anos. Hoje, temos 14 jogadores no elenco principal. Como é conviver com essa garotada?

Isso é muito legal, porque a forma atual do futebol acaba descaracterizando um pouco o amor ao clube, que acontecia muito antigamente. Tivemos aqui o exemplo do Nilton Santos, que só vestiu três camisas durante a carreira: as das seleções brasileira e carioca e a do Botafogo. Então isso é uma coisa muito legal porque ajuda o cara a criar raízes, melhora o relacionamento, já sabe os caminhos. Isso é muito saudável. E o Botafogo tem procurado cultivar isso tem dado força. E, sempre que puder, vou ajudá-los também.

E as suas primeiras impressões sobre os garotos?

Os meninos têm boa qualidade, são aplicados, disciplinados, obedientes... Está muito bom o trabalho.

Você tem dito que a equipe joga melhor em bons gramados, como o do Stadium Rio. Além do campo, o que você achou do estádio? 

As condições são excelentes. Primeiro que é um estádio inteiramente cosmopolita, cravado no meio da cidade. Hoje, quando fazem um grande estádio, normalmente, afastam dos grandes centros urbanos. E o Rio de Janeiro ainda comporta esse tipo de coisa: fazer um estádio dessa capacidade bem no meio da cidade. Ele fica na Zona Norte, mas, se você pegar o mapa do Rio, verá que ele fica bem no centro geográfico. Isso é muito bom. E fico ainda mais feliz que o Botafogo administre esse estádio para utilizar, além dos jogos, as facilidades que o complexo nos oferece para os treinamentos também. É uma grande realização do clube e nós temos muitos projetos para o estádio. Vamos ver se conseguimos viabilizá-los.

Já se sente em casa?

Gosto muito do estádio. Primeiro, porque é próximo da minha casa, se comparado a General Severiano. Levo, para chegar ao estádio, a metade do tempo que levo para ir à sede. Mas gosto muito de ir para General também, porque estudei ali em frente. E lá tem aquela história toda... Fui à General Severiano algumas vezes para assistir jogos, para trabalhar nas divisões de base em jogos ali. O clima lá é maravilhoso, é um lugar muito gostoso de ir, com aqueles shoppings em volta. E também pela forma como o clube foi decorado, com aquelas fotografias que mexem com a minha memória, com aqueles ídolos todos. Estou muito feliz aqui, não consigo esconder isso. E nem quero esconder!


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