Duas décadas após tragédia, Zâmbia busca milagre para geração morta 

Libreville, a capital do Gabão, foi palco da maior tragédia na história do futebol de Zâmbia. Em 27 de abril de 1993, 18 jogadores zambianos morreram em uma explosão aérea junto de mais 12 tripulantes que se dirigiam para uma partida das Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, contra Senegal. Libreville, neste domingo e quase duas décadas após o acidente, também pode ser palco da maior glória na história do esporte de Zâmbia.

A seleção do treinador Hervé Renard e dos destaques Christopher Katongo e Emmanuel Mayuka enfrenta a poderosa e favorita Costa do Marfim, de Didier Drogba e Yaya Touré, pela decisão da Copa Africana de Nações no Stade d'Angondjé. O título é improvável, mas a vaga na final conquistada contra Gana também parecia. "Eles têm que nos respeitar", diz o técnico.

Longe das favoritas ao título, a Zâmbia representa também a região africana com menos conquistas na história da Copa Africana. E o torneio, pela segunda edição consecutiva, é ofuscado por uma tragédia extracampo. A morte de 74 pessoas em Port Said, no duelo entre Al Masry e Al Ahly, no Egito, ocorre só dois anos após o massacre contra a seleção do Togo, em Angola, também em meio à última CAN.

Para os zambianos, em particular, o desempenho de 2012 tem sabor de redenção. Christopher Katongo, capitão da equipe, foi condecorado sub-tenente do exército de Zâmbia. Comoventes mesmo foram as palavras de Kalusha Bwalya. Ele era o melhor jogador da geração morta, mas não estava no avião porque vinha direto da Europa, onde defendia o PSV Eindhoven. Hoje é o presidente da federação, após ter sido também treinador.

"Eles têm a mesma determinação, atitude, confiança e motivação daquele time. Você pode ver que eles têm uma conexão com a geração de 1993. Todos estão tão felizes de estarmos onde estamos, mas foram os rapazes que conseguiram isso", comparou Bwalya. Sua geração era tão boa que, mesmo sem 18 jogadores mortos, foi vice-campeã da África em 94. A vaga na Copa do Mundo até hoje inédita, é bem possível, seria nos Estados Unidos.

"Havia algo escrito de que jogaríamos pela honra e pelas memórias da seleção de Zâmbia que morreu em 1993. Foi catastrófico para a nação e 12 milhões de pessoas estavam esperando que a gente pudesse voltar para Libreville", afirmou Hervé Renard, o treinador que pode dar o título inédito aos zambianos neste domingo.

Renard, um jovem treinador francês de 43 anos e sem expressão na Europa, busca o que Godfrey Chitalu não conseguiu. Maior jogador da história do futebol zambiano, era o técnico do time morto e também foi vitimado no AF-319 que deixou Lusaka, a capitão da Zâmbia, e nunca mais voou após explodir sobre o mar de Libreville.

Os 30 mortos no desastre aéreo de 1993

Tripulação: Coronel Fenton Mhone, Coronel Victor Mubanga, James Sachika, Edward Nambote e Tomson Sakala

Jogadores: Efford Chabala, John Soko, Whiteson Changwe, Robert Watiyakeni, Eston Mulenga, Derby Makinka, Moses Chikwalakwala, Wisdom Mumba Chansa, Kelvin "Malaza" Mutale, Timothy Mwitwa, Numba Mwila, Richard Mwanza, Samuel Chomba, Moses Masuwa, Kenan Simambe, Godfrey Kangwa, Winter Mumba e Patrick "Bomber" Banda

Comissão técnica: Godfrey "Ucar" Chitalu, Alex Chola, Wilson Sakala e Wilson Mtonga

Outros: Michael Mwape (funcionário da federação), Nelson Zimba (servidor público) e Joseph Bwalya Salim (jornalista)