Luxemburgo detona cúpula do Flamengo e diz que Patrícia Amorim não teve pulso 

O técnico Vanderlei Luxemburgo, demitido do comando do Flamengo após a vitória por 2 a 0 contra o Real Potosí, pela Pré-Libertadores, na quarta-feira, fez duras críticas à diretoria do Flamengo. Em entrevista coletiva concedida nesta manhã, ele afirmou que a presidente Patrícia Amorim não teve pulso em determinadas situações, mas disse que entendia a situação na medida em que a via isolada na política do clube. 

"Ela, com certeza, deixou de ter autoridade de presidente. Vi isso conversando com ela. Sempre leal a ela, comprei até briga com o conselho do clube. Mas fui totalmente desrespeitado, as coisas foram direcionadas todas para mim", alfinetou. 

Luxemburgo ainda responsabilizou Patricia Amorim pelas atitudes do vice de finanças, Michel Levy, seu maior desafeto no Flamengo. 

"Cada um escolhe seus pares. Ele hoje é um homem chave na administração, mas as informações dele trouxeram muito prejuízo. A última foi sobre os jogadores serem marqueteiros, e o Alex Silva estar bichado", criticou 

O técnico disse ainda que sua saída foi orquestrada, em uma ação que qualificou como uma das mais feias que já vivenciou em sua carreira: 

"Vazaram informações para jornalistas para que fossem se avolumando, e chegasse ao desgaste que chegou. Já sabia que ia sair". 

Sobre o desgaste com jogadores e dirigentes, fator apontado como determinante para a sua saída, Luxemburgo disse que este aspecto foi até tranquilo diante do que viu acontecer no clube.

"Em 2011, fui bem tranquilo e fechei os olhos para alguns comportamentos porque o Flamengo tinha que alcançar seus objetivos. Comuniquei no início do ano que seria difícil conviver com as mesmas situações. Comecei a colocar as coisas em seu lugar. Mas se a diretoria não mudou, não é problema meu. Se prefere jogar os problemas para debaixo do tapete, tudo bem", disse. "Há um tempo atrás, se acontecesse 10% do que aconteceu aqui, eu tinha chutado o balde muito antes. Se quatro pessoas saem de uma comissão técnica, não é desgaste de um profissional só", completou. 

Ronaldinho Gaúcho

Os problemas de relacionamento com o meia-atacante Ronaldinho, grande estrela da companhia, foram fundamentais para a saída de Luxemburgo no Flamengo. Durante a pré-temporada em Londrina, o técnico pediu o afastamento do atleta, que teria sido flagrado com uma mulher na concentração. O episódio resultou em uma discussão com membros da diretoria do clube (que apoiaram Ronaldinho) e em um mal-estar com os atletas, que já consideravam a postura de Vanderlei autoritária.

Luxemburgo considerou inadequados os privilégios dados ao meia. 

"Eu não tenho que almoçar com jogador de futebol, ter relação fora do futebol. Não quero o Ronaldinho para casar com a minha filha, quero o Ronaldinho para jogar futebol e cumprir com seus compromissos. A regalia que um atleta de alto nível tem que ter é o salário que ele ganha. Nada mais".