O presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, prometeu um jogo de despedida ao ex-goleiro Marcos nesta quarta-feira, em entrevista na Academia de Futebol. O dirigente também afirmou que planeja eternizar a camisa 12 e que criará um busto em homenagem ao ídolo.
"Teremos, em abril e até junho, daremos um 'sócio-perpétuo' ao Marcos. Todas as homenagens serão feitas em um jogo de despedida, que será programado em um futuro breve. Dentro do nosso site, também temos a imagem dele e o facebook, além de novos produtos. Teremos livros, biografia, fotos e pretendemos eternizar a camisa 12. Vamos fazer um estudo mais detalhado, e a ideia é criar o busto para o Marcos, que vai ser feito com certeza", declarou o mandatário.
A diretoria do Palmeiras deve estudar os detalhes para "aposentar" a camisa 12 alviverde. Alguns campeonatos, como a Copa Libertadores e Sul-Americana, limitam a numeração dos jogadores entre 1 e 25, e isso pode ser um obstáculo para a homenagem ao ídolo da torcida.
Além de ressaltar a grande passagem de Marcos pelo Palmeiras, Tirone também elogiou a atuação do ex-goleiro na Copa do Mundo de 2002, onde foi um dos grandes responsáveis pela conquista do pentacampeonato da Seleção Brasileira.
"Você foi o melhor da Copa de 2002 disparado e fico emocionado, triste, porque não esperava a aposentadoria, mas Marcos não se aposenta. É uma ideia nossa de ele continuar junto conosco, de mãos dadas, o Palmeiras precisa disso. Precisa da ajuda de todos, imagine abrir mão da ajuda do nosso grande ídolo. A partir de hoje, começamos um novo projeto para o Marcos", continuou Tirone, emocionado com o momento.
O Palmeiras preparou uma grande festa para se despedir de seu maior ídolo. Com pizza, música e vídeos que mostravam defesas históricas do ex-atleta, o jogador entrou no ginásio da Academia de Futebol para dar sua última entrevista, ao menos como profissional. No entanto, segundo Tirone, Marcos continuará no clube para outras funções.
O atleta atuou por 20 anos no time alviverde e foi o herói do maior título da quase secular história palmeirense: da Copa Libertadores de 1999. Na campanha, foi o principal responsável pela eliminação do arquirrival Corinthians nas quartas de final. Voltou a ser o "algoz" do rival no ano seguinte, pela semifinal, mas sucumbiu na decisão contra o Boca Jrs e perdeu a chance de ser bicampeão. Pela Seleção, foi titular na história campanha do penta, em 2002, no Japão.
Exemplo de amor à camisa no futebol moderno
A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.
Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.
Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.
Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.
As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.
Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.
FICHA TÉCNICA
Nome: Marcos Roberto Silveira Reis Posição: Goleiro Cidade de nascimento: Oriente (SP) Nascimento: 4 de agosto de 1973 Altura: 1,93 m Camisa preferida: 12 Jogos pelo Palmeiras: 530 Jogos pela Seleção Brasileira: 29 Clubes: Palmeiras Títulos: Campeonato Brasileiro (1993 e 1994); Campeonato Paulista (1994, 1996 e 2008); Copa do Brasil (1998); Copa Mercosul (1998); Copa Libertadores (1999); Torneio Rio-São Paulo (2000); Copa dos Campeões (2000); Campeonato Brasileiro Série B (2003).
Pela Seleção: Copa América (1999); Copa do Mundo (2002) e Copa das Confederações (2005)