Fábio Grijó, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Diego, Anderson, Jorge Luiz, Oziel, Erick Flores, Lopes, Bruno Santos, Luizinho, Tony e Washington. Os 10 jogadores passaram por times do Rio. Alguns até destacaram-se em equipes medianas. Outros vestiram as camisas dos grandes do estado, mas saíram pela porta dos fundos. Melhor para o Ceará, que recrutou a legião e tornou-se a surpresa, até agora, do Campeonato Brasileiro. Tem 78% de aproveitamento, com quatro vitórias e dois empates. Hoje, às 16h, a equipe encara o Atlético-MG, no Mineirão.
O Ceará voltou, neste ano, à Série A após 16 anos de ausência. Pela 16ª vez, o clube disputa a elite nacional, em que tem como melhor resultado o sétimo lugar em 1985. Vice-campeã da Copa do Brasil em 1995, a equipe cearense apostou no técnico Paulo César Gusmão, outro que saiu dos gramados cariocas treinou Vasco, Flamengo e Fluminense. Ele tem o ex-goleiro vascaíno Acácio como seu auxiliar técnico.
No campo, estão dois ex-rubro-negros, que ocupavam o banco de reservas na Gávea: o goleiro Diego, 28 anos, e os meias Erick Flores, 21, e Lopes, 31. Pelo Vasco, atuaram o zagueiro Jorge Luiz, 28, e o atacante Washington, 31. No Botafogo, estiveram o lateral Oziel, 25, e o atacante Tony, 24. Os outros três cariocas são o zagueiro Anderson, 27 anos (ex-Volta Redonda e Americano); e os atacantes Luizinho, 22 (que atuou no Americano), e Bruno Santos, 26 (que vestiu as camisas do CFZ e do Flamengo).
A campanha desta temporada é a melhor do Ceará nos Brasileiros. Em 1978, até então o melhor retrospecto no início do campeonato, os cearenses somaram quatro vitórias e duas derrotas. O time de PC Gusmão ostenta a melhor defesa, com apenas um gol sofrido.
A chance de recomeçar, após poucas partidas na Gávea, fez Erick Flores mudar de ares.
Foi a melhor coisa que me aconteceu conta ele, que chegou a Fortaleza há dois meses. Não tinha oportunidade (no Flamengo). Aqui, venho tendo respeito, conquistando meu espaço. Todos aqui abraçaram o projeto do Ceará, do PC (Gusmão).
Diego, reserva no gol rubro-negro dos tempos de Julio César (hoje na Seleção) até Bruno, optou pela mudança para poder entrar em campo e jogar.
Tenho sequência, o que não vinha acontecendo. Todo jogador gosta de jogar. Sabia que poderia ter dificuldades, mas o Ceará tem trabalhado duro neste campeonato.
O goleiro credita ao técnico PC Gusmão o fato de ter reunido jogadores que passaram por clubes do Rio sem tanto destaque assim e obtido êxito, pelo menos até agora, no Ceará.
O PC é um treinador que conhece muito o futebol do Sudeste, as peças de outros times. Está pondo isso em prática no Ceará, que voltou à elite.
Diego diz que a meta da equipe, apesar da boa campanha neste início do Brasileiro, é modesta: assegurar a permanência na Série A.
Depois, no decorrer do campeonato, quem sabe não mudamos?
Para Erick Flores, a mudança já ocorreu.
Para um jogador que não está bem num lugar, é bom procurar novos ares. Em outro clube, acaba dando certo diz Erick.
É nisso que tem apostado o Ceará.