Tiago Leite, Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Sete títulos mundiais em campo. Brasil e Alemanha nunca haviam se enfrentado numa Copa do Mundo, e quiseram os deuses do futebol que o encontro fosse tão grandioso quanto a história das duas seleções: justamente numa final. O estádio de Yokohama, no Japão, foi o palco da decisão da Copa de 2002, no dia 30 de junho. Além do título, estava em jogo a hegemonia do futebol mundial, já que a Alemanha buscava igualar as quatro conquistas brasileiras. Mas o domínio verde-amarelo resultou no placar de 2 a 0. Junto com o pentacampeonato, vieram a afirmação do futebol brasileiro como o melhor do mundo, a consagração de Ronaldo como um dos maiores jogadores de todos os tempos e a volta por cima de um grupo desacreditado.
Apesar de contar com jogadores talentosos, a Seleção Brasileira partiu para a Ásia sob desconfiança do torcedor. O time fez uma campanha irregular nas Eliminatórias, só confirmando a vaga na última rodada. A redenção veio com a bela campanha no Mundial, com sete vitórias, sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari.
Sempre tivemos jogadores talentosos. Mas naquela oportunidade não estávamos jogando bem e nos classificamos com dificuldades, por isso a desconfiança. Mas o grupo se preparou corretamente, lembrou das dificuldades, foi humilde e respeitou sempre os adversários diz Felipão.
Segundo o treinador, os resultados durante a Copa trouxeram confiança aos jogadores brasileiros para a final.
O clima era de completa alegria, mas naturalmente com muita ansiedade para iniciar a partida. Os jogadores estavam confiantes, sabiam que, se atuassem da mesma forma que os outros jogos, as chances seriam maiores. Mas eles estavam conscientes de que a Alemanha era uma grande seleção e só com muita disciplina tática e boa técnica é que ganharíamos.
O volante Kleberson, um dos destaques da decisão, revela que os jogadores não admitiam deixar o título escapar.
Não pensávamos em outra coisa, só interessava o título. Respeitamos a seleção da Alemanha, mas sabíamos que o título ia ser nosso, pelo futebol que mostramos durante a Copa. Entramos tranquilos e confiantes, os gols foram saindo com naturalidade. Graças a Deus conseguimos fazer uma partida praticamente perfeita e ficamos com a taça diz Kleberson.
Depois de um primeiro tempo em que desperdiçou boas chances, a Seleção confirmou o título nos pés de Ronaldo, artilheiro com oito gols. O Fenômeno fez o primeiro gol aos 22 minutos da etapa final contando com a falha do goleiro Oliver Kahn, eleito o melhor jogador da Copa e fechou o placar aos 34.
A equipe esteve bem postada desde o início. Surgiram chances que não foram concluídas corretamente, mas estávamos jogando uma final e nos impondo em campo. Era uma questão de tempo e todos estavam mentalmente preparados para isto comenta Felipão.
O técnico revela não ter conversado em particular com o atacante antes da final.
Não houve nenhuma conversa especial com o Ronaldo, pois ele já estava motivado pelas suas atuações e pela sua recuperação física.
Para Felipão, o apelido de Família Scolari significa nada mais que a união do grupo em prol de um objetivo.
Os jogadores foram amigos dentro e fora da concentração, faziam cobranças entre eles, sabiam que tinham respaldo comissão técnica e jogaram o seu futebol. O penta significou para todos nós brasileiros que, com organização, com a nossa qualidade e com trabalho, podemos sempre estar lá em cima.
Foi maravilhoso. Participei de um grupo fantástico e muito bem comandado pelo Felipão elogia Kleberson.