Tostão: "Seleção tem muitos jogadores de primeiro nível"

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Campeão mundial em 1970 como titular de um dos melhores times da história, Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, milita como um dos mais insistentes pregadores do futebol-arte. Na sua famosa coluna distribuída em diversos jornais, ele critica a atual Seleção e os grandes clubes brasileiros.

Mas, em conversa com Terra Magazine, horas após o anúncio dos 23 atletas do Brasil escolhidos para a Copa do Mundo de 2010, deixou clara sua admiração por vários convocados de Dunga. Talvez por isso ele cobre tanto exibições melhores. "Faltam jogadores em algumas posições, mas tem muito jogador de primeiro nível do futebol mundial. O nível da Seleção atual é ótimo. Tem Kaká, Robinho, Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Luis Fabiano...", enumerou.

Em seu texto desta quarta-feira, 13, Tostão revelou preferência por Diego Tardelli, do Atlético Mineiro, em relação a Grafite e Nilmar, que foram chamados por Dunga. O ex-craque acompanha de perto a boa fase do goleador do Galo em Belo Horizonte.

Torcia também pela inclusão de três nomes propalados pela mídia nas últimas semanas: "Na minha opinião, Ganso e Ronaldinho já deveriam estar na lista de 23. E o Neymar na lista dos sete". Se for necessário optar por apenas um, não titubeia: "Ronaldinho".

Para o Mundial de 1966, Tostão, que acabara de conduzir o Cruzeiro ao título da Taça Brasil sobre o fabuloso Santos de Pelé, foi convocado aos 19 anos, sem experiência prévia na Seleção. O santista Edu, aos 16, também entrou na lista. Porém, o comentarista mineiro não considera válidas as comparações daquelas circunstâncias com a presença do atacante Neymar, de 18, e do meia Ganso, de 20, na África do Sul.

- Era uma situação diferente. Só fui convocado porque foram chamados 44 jogadores, que ficaram treinando e jogando durante muito tempo. Conquistei meu lugar nos treinos e amistosos. Se fossem só 22, eu não teria sido convocado - recordou.

Vencedor das duas Copas anteriores, a Seleção inchou-se na fase de preparação, sob o comando de Vicente Feola, campeão de 1958. A ida de Tostão pareceu uma das estratégicas demagógicas, em época de ditadura militar. "Achavam que era só pra agradar Minas Gerais. Foram convocados um de Minas, um de Pernambuco, um do Rio Grande do Sul, um da Bahia, como se a gente não tivesse chance", contou o ídolo cruzeirense.

Os dois garotos, entretanto, garantiram seus lugares no voo à Inglaterra. "O Edu foi e não jogou. Um grande erro, porque já era muito melhor do que os outros, apesar de ter só 16 anos. Deveria ter jogado e não jogou porque ficaram com medo, por ele ser muito novo", opinou Tostão, que jogou apenas na derrota de 3 a 1 para a Hungria.

A dupla de novatos não ficou queimada pela vexatória eliminação na primeira fase. "Depois daquela Copa, nunca mais deixei de ser convocado", ressaltou Tostão, que, encerrando a carreira em decorrência de uma lesão no olho, não tentou o segundo título mundial em 1974. O driblador ponta-esquerda Edu, sim, emendou a terceira Copa do Mundo da sua carreira.

- O Neymar só não foi chamado agora porque, na posição dele, tem muito jogador bom, jogadores consagrados, em grande forma, vários. Depende da chance, da época, da necessidade. Acho que um jogador de 17 anos já tem condição de jogar a Copa se ele for muito bom, melhor do que os outros - avaliou Tostão.