Joel diz que ministro do Esporte deveria defender Zico na Grécia

Paulo Murilo Valporto , Portal Terra

RIO - O ex-jogador e atual técnico Arthur Antunes Coimbra, o Zico, soube da sua demissão lendo o site do Olympiacos, da Grécia. Depois, recebeu na sua casa, em Atenas, a visita de um oficial de justiça com a notificação oficial do clube. O comportamento inusitado dos cartolas gregos revoltou o antigo camisa 10 da Seleção Brasileira. E seus amigos também. Um deles é Joel Santana, que, nesta quinta-feira, se mostrou indignado com o que houve. Segundo ele, que está sem clube atualmente, o que aconteceu foi uma barbaridade, que mereceria até uma intervenção diplomática.

"Fizeram uma covardia com o Zico, que é um ídolo do futebol brasileiro e mundial. Ele é respeitado em todo o planeta e não deveria passar por isso da Grécia. Todo mundo tem o direito de demitir qualquer um se não estiver satisfeito com o rendimento, mas não é possível desrespeitar o profissional. Acho que o Itamaraty e o ministro dos esportes (Orlando Silva) deveriam intervir, para que isto nunca mais aconteça com um profissional brasileiro no exterior", exagerou Joel Santana, recentemente demitido do comando da seleção da África do Sul.

Para o treinador, que conquistou a torcida do Flamengo em sua última passagem pela Gávea, Zico está certo ao buscar a Justiça para reaver seus direitos contratuais. Joel Santana lembrou que o eterno ídolo rubro-negro não se ofereceu para treinar o Olympiacos. Pelo contrário, foi assediado pelos gregos, que ofereceram a ele mais do que poderiam dar.

Joel Santana acredita que o comportamento seria diferente caso o treinador fosse um europeu.

"Sem dúvida houve preconceito. Eles (estrangeiros) vêm para cá e são muito bem tratados por nós. Mas, às vezes, isso não acontece com os brasileiros que resolvem trabalhar no exterior. É aquela velha história: quem ganha é o clube; quem perde é o treinador".

Além de Zico, o seu irmão Edu, que era o auxiliar-técnico, e o preparador físico Moracy Santana foram mandados embora. O Olympiacos tenta fazer da saída do treinador ¿ que ocupou o cargo durante quatro meses ¿ um caso de litígio que não aconteceu, para, dessa forma, se livrar do pagamento de direitos trabalhistas.

"Nunca vi alguém ser demitido por um oficial de justiça. Alguns argumentos que eles usaram não fazem o menor sentido", desabafou Zico, que começa a fazer as malas para desocupar a casa onde vive em Atenas e que pertence ao clube. A deselegância dos gregos o deixou tão irritado que ele pensa em ficar um ano de férias, sem pensar em futebol.