Jornal do Brasil
RIO - Ano novo, vida nova. O velho bordão vale muito para Emanuel, do vôlei de praia. Morando no Rio de Janeiro ao lado da mulher Leila, a ex-jogadora de vôlei, o atleta deixou a dupla com Ricardo de lado depois de sete anos junto ao companheiro, com quem dividiu a melhor fase de sua carreira segundo o próprio. A dupla foi medalhista nos últimos três jogos olímpicos: prata em Sydney (2000), ouro em Atenas (2004) e bronze em Pequim (2008). De olho nas competições do próximo ano e, principalmente, nas olimpíadas de Londres, 2012, Emanuel junta-se ao jovem Alison, seu novo parceiro no esporte e espera ainda muitas conquistas como atleta do vôlei de praia.
Depois de sete anos, você começa 2010 de um jeito diferente, com um novo parceiro:
Foram sete anos muito felizes ao lado do Ricardo, de muitas conquistas, muitas alegrias e de uma amizade muito forte que construímos. Ele é, com certeza, mais do que o melhor parceiro que eu tive, é como um irmão, uma pessoa maravilhosa com quem vivi os melhores anos da minha carreira. Mas, agora, ano novo, vida nova. Ele vai ter um novo parceiro. Eu jogarei com o Alison e tenho certeza de que teremos duplas muito fortes.
Como foi a decisão de encerrar a parceria?
Tivemos uma conversa e resolvemos que este era um caminho natural a seguir. Estou morando no Rio com a Leila, Ricardo está em João Pessoa e, além de eu querer ficar mais em casa agora, achamos que era a hora também de passarmos a nossa experiência para jogadores mais jovens, de encarar novos desafios. Mas foi tudo numa boa, como sempre foi a nossa relação, com conversa e encerramos a nossa parceria como amigos, sem brigas, sem problemas, algo difícil de acontecer em parcerias no vôlei de praia.
Como acha que será o primeiro jogo contra Ricardo? Como definiria seu ex-parceiro?
Não sei, mas vai ser algo estranho. Foi difícil jogar as últimas partidas com ele, a última então foi emocionante demais, mas foi um ciclo que acabou e estamos começando outro. Ricardo é um jogador fora-de-série, um amigo para todas as horas, um pai exemplar, e foi um companheiro para todas as horas. A partir de agora, vamos ser rivais, mas nunca inimigos, porque construímos uma história muito bonita juntos. Vai ser muito estranho vê-lo do outro lado da rede.
O que espera da parceria com o jovem Alison?
Acho que temos condições de fazer uma boa temporada. Alison é um jogador explosivo, que tem muito talento, e que vem de um ano muito bom. Vamos ter a Letícia Pessoa como técnica, que é uma das melhores do mundo, e o nosso estilo de jogo se encaixa. Já disputei uma etapa com o Alison em 2008 e tivemos um entrosamento muito rápido. Espero que 2010 seja um ano muito bom para a gente. Estou muito motivado e ele também. Queremos sonhar alto: lutar por títulos e estar em Londres-2012.
Quais duplas apontaria como principais adversárias para 2010?
Há muito equilíbrio e fica difícil apontar. Houve muitas trocas de duplas e só depois dos primeiros torneios vamos poder ver quem estará se destacando, as duplas que vão mostrar um melhor jogo, um melhor entrosamento. Mas, é claro, vejo Márcio / Fábio Luiz, Ricardo / Pedro Solberg, Bruno Schmidt / Benjamin como duplas que começam o ano com mais expectativas, junto com a nossa. Mas o favoritismo acaba no primeiro saque. Já no Circuito Mundial, os americanos e os alemães estão vindo muito bem nas últimas temporadas e, com certeza, também estarão fortes.
Depois de quatro participações em Jogos Olímpicos, pensa em estar nas Olimpíadas de Londres-2012?
Esse é um dos objetivos da nossa dupla, mas temos um longo caminho ainda pela frente. Temos muito trabalho e duplas fortes que estarão brigando pelas vagas. Nosso objetivo é esse, sim, não é uma meta pessoal, é uma meta da equipe e o foco está em Londres, mas temos que pensar em 2010 antes, na pré-temporada, na preparação, nos campeonatos que vamos estar disputando nesse ano.
E como viu a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016?
Acho que essa foi uma grande vitória do Brasil, a certeza de que estamos crescendo internacionalmente. Foi o reconhecimento de todo o esforço dos governantes e, em especial, ao trabalho do Nuzman. Foi a melhor notícia do ano. Vai ser maravilhoso para o país receber o melhor do esporte mundial, turistas de todo mundo, ser o centro das atenções do planeta. Seremos sede da Copa em 2014 e das Olimpíadas em 2016, precisamos saber aproveitar essas oportunidades. Fiquei muito feliz, mostramos força, derrotamos Madri, Tóquio e Chicago, cidades de países de primeiro mundo. Vencemos porque fomos organizados e mostramos credibilidade.
E como está o casamento com a Leila?
Está muito bem, a Leila é uma pessoa muito importante na minha vida. Não apenas como minha mulher, mas também como conselheira, como alguém que é do vôlei, que conhece e que me ajuda demais. E isso é muito bom, temos tido tempo para ficar mais juntos depois que ela parou de jogar. Ela tem mais tempo para se dedicar aos projetos pessoais. Agora, morando no Rio, vou poder ficar mais tempo ainda perto dela.