Jornal do Brasil
RIO - Com uma mão e quatro dedos segurando a taça de campeão brasileiro de 2009, o Flamengo está muito próximo de quebrar um jejum de 17 anos sem conquistar o principal título do futebol nacional. Para isso acontecer, basta sair do Maracanã, no domingo, com uma vitória sobre o Grêmio. Depois de 37 rodadas disputadas, pela primeira vez o time é líder com dois pontos a mais que Internacional, Palmeiras e São Paulo segundo, terceiro e quarto colocados, respectivamente. Os torcedores não viam há muito tempo uma chance tão clara de vencer o Campeonato Brasileiro. Se isso acontecer, o clube levará seu sexto título da competição.
E a preparação para o jogo decisivo será feita bem longe dos domínios da Gávea ou do Ninho do Urubu, em Vargem Grande. Segunda-feira à noite, o clube divulgou que os treinos a partir de quarta-feira serão todos realizados na Granja Comary até o sábado. Tudo para fugir do clima de euforia que tomou as ruas do Rio de Janeiro logo após o árbitro Evandro Rogério Roman apitar o término do jogo em Campinas, decretando a vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Corinthians. Resultado que deu a sonhada liderança à equipe.
A cautela rubro-negra é compreensível. Há um grande temor que se repita tragédias recentes na história do clube, como foram as derrotas para o Santo André, na final da Copa do Brasil em 2004, e para o América do México, nas oitavas-de-final da Taça Libertadores de 2008. Feridas que ainda não cicatrizaram em muitos torcedores - e até em jogadores. No desembarque do time, o goleiro Bruno usou um dos exemplos para pedir calma a todos.
Ainda temos um último jogo, que será o jogo das nossas vidas. Já tivemos o exemplo da partida contra o América-MEX. Vamos ter os pés no chão, só assim conseguiremos. Vou tentar passar isso para os jogadores. O América-MEX está aqui ainda disse Bruno.
A expectativa da torcida é grande. A chegada do time ao Rio de Janeiro depois da vitória sobre o Corinthians por 2 a 0, em Campinas, foi uma verdadeira celebração rubro-negra. No Aeroporto Santos Dumont, torcedores cantavam o hino rubro-negro. Gritos de hexacampeão eram inevitáveis. Os próprios jogadores admitem que há uma grande ansiedade para este jogo. O presidente do clube, Márcio Braga, admitiu que será impossível conter a empolgação da torcida e defendeu a ida para fora do Rio.
Eu que pedi para o time se concentrar antes. Já perdemos títulos por não ter concentração. Não vai ser assim desta vez disse o presidente rubro-negro.
Autor do primeiro gol na vitória de domingo, Zé Roberto concorda com o mandatário.
A expectativa é enorme, mas temos que concentrar. Oba-oba é com os torcedores - disse Zé Roberto.
No clube, há também quem esteja insatisfeito com o comportamento de alguns jogadores durante a semana. Em Teresópolis, pretendem controlar a alimentação e o sono de cada um. O caso de Adriano, por exemplo, causou desconforto. O jogador apareceu com o pé esquerdo queimado durante a semana e não participou do jogo contra o Corinthians. O atacante ainda se recupera da ferida, mas deve participar da partida de domingo, contra o Grêmio.
Outra necessidade é controlar os próprios nervos. Contra o Goiás, jogo que terminou empatado em 0 a 0, era unânime entre os jogadores que o time apresentou-se muito ansioso e perdeu uma chance de ser líder naquela partida.
Temos de saber controlar a ansiedade, ter equilíbrio emocional pediu Andrade, logo após a vitória de domingo.
Márcio Braga ironiza ameaças do Sport
Otimista com a possibilidade de conquistar o título do Campeonato Brasileiro, o presidente Márcio Braga ironizou as declarações do presidente do Sport, Silvio Guimarães, que ameaçou processar quem disser que o Flamengo é hexa.
Se a gente acreditar em cada pessoa que aparece no circo. Esse deve ser mais um comentou Márcio Braga.
A confusão toda começou em 1987, quando o time da Gávea conquistou o quarto título brasileiro. Na época, a CBF não pôde organizar a o Brasileiro e a competição foi realizada pelo Clube dos Treze. Com o nome de Copa União, foi dividida em módulos. No verde, onde jogaram os principais times, o Flamengo venceu o Internacional na final. Durante a competição, a CBF quis que os dois primeiros colocados do módulo verde enfrentassem os do módulo amarelo, formado por equipes da segunda divisão mais o Guarani e o América, segundo e quarto colocados do ano anterior, respectivamente. O Clube dos 13 se negou a mudar o regulamento.
Na módulo amarelo, Sport e Guarani empataram a final nos pênaltis em 11 x 11 e dividiram o título em um acordo. Com a recusa dos membros do Clube dos 13 em disputar o quadrangular, Sport e Guarani venceram os jogos contra Flamengo e Internacional por WO. No fim, o Sport venceria o Guarani.
A confusão implica também na posse definitiva da famosa taças das bolinhas, que era entregue ao time campeão brasileiro até 1992. O time campeão por três vezes seguidas ou cinco vezes de forma alternada ficaria com o troféu. Curiosamente, quando o Flamengo se tornou pentacampeão, a CBF passou a adotar um outro troféu para o campeão brasileiro. Até hoje não há definição sobre quem ficará com a taça, que está em um cofre na Caixa Econômica Federal.
Não sei o que há. Fizemos um requerimento e até hoje a CBF não respondeu. É um problema político disse Márcio Braga.