Hilton Mattos, Jornal do Brasil
RIO - O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, ouviu do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Copenhague, que, após a ressaca pela escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016, o melhor a se fazer seria descansar. Nuzman, por sua vez, sabe que o trabalho está apenas começando. A primeira etapa, a fase de disputa, é página virada. A promessa agora é de esforço redobrado para os próximos sete anos. Efetivamente, nenhuma providência, tecnicamente falando, poderá ser tomada até o seminário de novembro, na capital fluminense, com membros do COI. Nele serão decididas posições estratégicas de planejamento. Mas isso não impede Nuzman de vislumbrar medidas já buscando a excelência nos Jogos de 2016.
Nesse seminário, o COI trará experts em diversas áreas. E eles vão dizer o que tem de começar e o que não tem de começar agora explica Nuzman, ciente que o relatório vai otimizar o tempo do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio-2016 (Cojo). Depois, quero me reunir com os representantes dos comitês organizadores das últimas Olimpíadas completou o presidente do COB.
Nuzman, aliás, fará a transição da presidência do comitê de candidatura para o comitê organizador, assim como fez nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
Por falar no Pan, o discutido legado do Rio com a realização do evento internacional há dois anos foi determinante para o êxito da campanha para 2016. De acordo com o dirigente, a candidatura para 2004 foi um desastre . O fracasso na tentativa olímpica fez a capital fluminense não concorrer em 2008. À época, Juan Antonio Samaranch, presidente de honra do COI, abriu os olhos do Brasil. Num almoço na Suíça, Samaranch deu dicas para a tão sonhada vitória brasileira.
Ele me chamou e disse: Se você quer mesmo realizar uma Olimpíada no Brasil, faça o Pan-Americano direitinho, mostre que vocês são capazes de organizar um evento grande e depois volte a brigar pelo sonho olímpico . E o relatório do COI constatou a importância do Pan, do legado deixado com o evento, para a aprovação do nosso projeto disse.
A conversa aconteceu entre 2003 e 2004, durante a candidatura para os Jogos de 2012. O Rio, nessa época, já se preparava para sediar o Pan a vitória sobre a cidade americana San Antonio ocorreu em 2002. Por uma questão estratégica, a candidatura para 2012 foi política, não havia ambição nem planejamento.
Às vezes, você entra na disputa só para constar. É uma posição estratégica. Perder na hora certa para passar a mensagem que estamos organizando um Pan de nível olímpico para voltarmos fortes na briga por 2016 revelou Nuzman.
O Rio foi eliminado do sonho de 2012 em maio de 2004, logo na primeira fase da candidatura.
Pan e Ato Olímpico decidem
Os Jogos Pan-Americanos deram um empurrão na candidatura. Mas não foram o suficiente. O presidente do COB destacou três outros fatores que convenceriam os membros do Comitê Olímpico Internacional: projeto bem elaborado, garantias e emoção. Para isso, pesaram as belezas da Cidade Maravilha, a promessa de uma Olimpíada de primeiro mundo e o comprometimento das esferas do governo de cumprirem o caderno de encargos.
Nuzman contou que o Ato Olímpico, assinado em setembro, no Senado (já havia sido aprovado em junho pela Câmara dos Deputados), acabou com qualquer desconfiança do COI sobre a execução das obras relacionadas a transporte, aeroportos e ampliação da rede hoteleira e outras exigências. O documento assegura e complementa 64 garantias do governo federal com os Jogos Olímpicos.
Em 2016, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará mais no governo. Além dele, a presença do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral é incerta por causa das eleições municipal e estadual. Nuz-
man é o único garantido. Embora os governos (Paes, Cabral, Lula e Orlando Silva, ministro dos esportes) estejam juntos há dois anos nessa empreitada, o documento que garante os investimentos vai assegurar melhorias na cidade mesmo havendo mudanças políticas.
O Ato Olímpico reforça a compromisso de todos no investimentos reiterou o dirigente, citando também a presença de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, nas apresentações de abril (no Rio) e de sexta-feira. O Henrique Meirelles foi chamado novamente em Copenhague. O COI pediu para ele voltar. Foi mais uma garantia.