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Obama: ele não pode tudo

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Jornal do Brasil

COPENHAGUE - Ao voltar de Copenhague antes do anúncio do resultado final da escolha da sede olímpica, Barack Obama só soube no voo que Chicago havia sido eliminada surpreendentemente na primeira rodada rodada de voto. Também foi no ar que ele foi informado da vitória do Rio de Janeiro, assistiu a uma TV dentro do avião presidencial. Já na Casa Branca, Obama tentou telefonar para o presidente Lula, que não pôde atender por estar envolvido na comemoração da escolha carioca.

Apesar da decepção que afirmou sentir, ele parabenizou a vitória do Rio de Janeiro. Mas não fugiu das frases de efeito:

Você pode jogar uma grande partida e, ainda assim, não ganhar disse Obama a jornalistas na Casa Branca ao voltar da Dinamarca.

Foi uma viagem em vão para a Dinamarca. Ao anunciar que estaria presente ao auditório do Bella Center, em Copenhague, para discursar a favor da candidatura de Chicago, Obama conseguiu levar o favoritismo das casas de apostas para a candidatura americana. Mas isso não foi o bastante para convencer os membros do COI.

A delegação de Chicago começou a apresentação às 3h30 (hora de Brasília). Em cerca de 45 minutos, deixaram o auditório. Ao lado da primeira-dama Michelle, Obama foi o último da delegação a falar, mas o primeiro presidente dos Estados Unidos a discursar em uma sessão do Comitê Olímpico Internacional.

Eu vim aqui hoje como um defensor apaixonado dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, acreditando fortemente no movimento que eles representam, e como um orgulhoso habitante de Chicago disse Obama em seu discurso, cujo conteúdo era desconhecido do resto dos integrantes da delegação. Eu descobri que Chicago é a mais americana das cidades americanas, mas também um lugar em que os cidadãos de mais de 130 países vivem em um rico mosaico de bairros singulares.

O relato de Obama não fez sucesso entre os membros do COI. A vitória brasileira e o enorme carisma que o presidente Lula tem no exterior logo levaram a imprensa internacional a ligar os pontos. Antes mesmo do resultado final, o site do londrino The Times, dizia que Luiz Inácio Lula da Silva levara a melhor sobre Barack Obama na batalha dos presidentes, durante a apresentação em Copenhague. Segundo o diário, o discurso do brasileiro foi mais atraente, ao falar sobre o ineditismo dos Jogos na América do Sul.

Lula fugiu da comparação e do clima de disputa:

Não é uma vitória de Lula sobre Obama, e sim de uma candidatura sobre a outra esquivava-se Lula, para se divertir depois. Alguns falavam que nós perderíamos só porque o Obama havia confirmado sua vinda. Na reunião do G20, eu já tinha dito a ele que, se não viesse, eu iria ganhar. Ganhei do mesmo jeito.

Lula, no entanto, não escondeu a admiração por Obama.

Tenho enorme respeito pelo Obama, por tudo que ele representa e pensa. Nos conhecemos há pouco e já nos damos muito bem disse Lula, elogiando também o primeiro ministro espanhol e fazendo piadas com o japonês. A minha amizade com o Zapatero é muito antiga, de antes de ele ser chefe de estado.

Ao lado do rei Juan Carlos, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero teve papel fundamental para levar Madri até a final com o Rio de Janeiro.