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Paraolimpíadas: soldado mutilado ressurge como aposta de velocista

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Alan Schwarz (The New York Times), Jornal do Brasil

BERLIM - A decisão veio apenas dias depois que Jerrod Fields, soldado do exército americano durante uma missão de reconhecimento em Bagdá, em 2005, perdeu o tornozelo e o pé esquerdo graças a uma bomba na estrada. Depois de dar um jeito de levar de volta seus quatro colegas de equipe feito que lhe rendeu uma Estrela de Bronze Fields acordou num hospital na Alemanha e tinha apenas uma escolha: operar o pé e sair do exército, ou amputá-lo e continuar sendo soldado.

Pode amputar disse ao médico. Quero voltar para o Iraque.

Mas a próxima medalha de Fields poderia ser recebida em Londres. Quatro anos depois de dar os primeiros passos com uma prótese, Fields hoje corre com tanta velocidade que há quem o considere o candidato americano mais propenso a vencer novos desafios nos Jogos Paraolímpicos de 2012 alguém que talvez possa superar o recorde do sul-africano Oscar Pistorius.

Desde o momento em que comecei a andar já estava pronto para correr disse ele.

Fields faz parte do programa desenvolvido pelo exército americano que oferece suporte aos atletas para que eles treinem para a Olimpíada e para a Paraolimpíada enquanto prestam serviços ao país. Ao trocar o uniforme verde do exército pelo vermelho, branco e azul da delegação americana, Fields deixou de ser apenas mais um órfão de Chicago e possível membro de gangue para ser um soldado herói e um atleta de alto nível.

Órfão num bairro violento

Fields, 27 anos, cresceu na região sul de um bairro que, segundo suas memórias, era cheio de gangues, drogas e pessimismo . A mãe morreu de câncer no pulmão quando ele tinha 5 anos. O pai foi morto a tiros quando ele tinha 11.

Eles disseram que ele foi assassinado do lado de fora da nossa casa em Chicago comenta Fields. Acho que foram seis tiros. Foi um crime intencional, algo planejado mesmo. Nunca descobrimos quem foi o assassino ou o motivo pelo qual meu pai morreu. Nada.

Fields se tornou membro de uma gangue, mas se concentrou o suficiente nos esportes e na escola para conseguir estudar na Universidade Estadual do Tennessee por dois anos. Foi então que se alistou no exército e acabou sendo enviado ao Iraque em janeiro de 2005. Um mês depois, denúncias a respeito da existência de um cachorro morto na estrada de Bagdá carcaças de animais eram, frequentemente, esconderijos para armadilhas com explosivos fez o pelotão dele começar a investigar o caso.

O cachorro em si era inofensivo, mas a armadilha que ele ocultava não. Uma pequena bomba explodiu nas redondezas. Fields riu; pensou que tinha derrubado uma granada. Pouco depois, outra explosão destruiu a parte inferior da perna esquerda dele. Fields se manteve consciente para levar seus colegas de tropa, em seu veículo blindado, para um local seguro. Mas quando finalmente chegou a um hospital na Alemanha, estava tão desorientado que tentou estrangular a enfermeira que o atendia.

A última coisa da qual lembrava era da batalha afirmou.