NAS QUADRAS

Not made in America

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Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 07/11/2026 às 12:46

Alterado em 07/11/2026 às 12:47

No atual Olimpo da NBA, os estrangeiros são os protagonistas Foto: Pedro Rodrigues/feito com IA

Mario Lemieux, Wayne Gretzky, Gordie Howe e Alex Ovechkin. O que esses nomes têm em comum? Todos são gigantes do hóquei, fizeram história na NHL, a liga norte-americana, e não nasceram nos Estados Unidos. O maior de todos é Gretzky, conhecido como "The great one" (algo como "O grande"), que é canadense. Parece que essa tendência atravessou a fronteira e chegou de vez à NBA.

O começo dessa história dos estrangeiros na NBA foi tímido, na distante década de 1990. Três décadas depois, eles deixaram de ser apenas especialistas em determinadas funções — como pivôs de grande porte ou máquinas de pontuar com pouca contribuição defensiva — para assumir o protagonismo na era atual.

Na temporada 2026/2027 da NBA, não há protagonistas maiores do que Luka Doncic, do Los Angeles Lakers, e Victor Wembanyama, do San Antonio Spurs.

O esloveno começou a temporada em ritmo de videogame: são 38,5 pontos por jogo em oito partidas, além de 8,1 rebotes e 8 assistências, a melhor média da liga com folga. E não se trata apenas de volume de arremessos: Doncic converte 49,5% dos seus arremessos de quadra, 43,1% das bolas de três e 89,3% dos lances livres.

Também lidera a NBA em cestas de três pontos por jogo (5,9). Já ultrapassou a marca dos 40 pontos pelo menos cinco vezes, incluindo os 52 contra o Utah Jazz, sua maior pontuação na temporada até aqui. Na última semana, foram três partidas consecutivas acima dos 40 pontos: 45 contra o Toronto Raptors, 42 contra o Miami Heat e 40 contra o Sacramento Kings.

Se Doncic é o dono do ataque, Wembanyama é o dono da quadra inteira. Na última quarta-feira, contra o Dallas Mavericks, o francês de 22 anos fez a melhor partida da carreira: 52 pontos, 24 rebotes e oito tocos, além de converter o lance livre que garantiu a vitória por 112 a 111. Só no primeiro tempo, foram 29 pontos, 15 rebotes e cinco tocos. Desde 1974, quando Bob McAdoo alcançou a marca, ninguém havia registrado pelo menos 50 pontos, 20 rebotes e cinco tocos em uma mesma partida.

Além disso, nenhum jogador com 50 pontos havia conseguido tantos tocos em um jogo desde que a estatística passou a ser contabilizada oficialmente, na temporada 1973/1974. Tudo isso mesmo doente e com o tornozelo torcido no último quarto.

E não foi uma atuação isolada: na temporada, Wembanyama registra médias de 29 pontos, 12,4 rebotes e 4,5 tocos por jogo, a melhor marca da liga neste último fundamento. Para quem já foi eleito o melhor defensor da NBA e levou o Spurs à final de 2026, o "unicórnio" virou um jogador completo.

Quem é o americano que se destaca na temporada, você pergunta? Stephen Curry. Aos 38 anos, em sua 18ª temporada, o armador do Golden State Warriors é o terceiro maior pontuador da liga, com 29,9 pontos por jogo, e o único americano entre os cinco primeiros. Converte 46,9% dos arremessos de quadra e 98,2% dos lances livres. Já chegou aos 44 pontos em uma partida.

Passou-se uma década, e a NBA ainda não encontrou um "O cara" para representar seu próprio mercado. Jogadores como Zion Williamson e Ja Morant fracassaram nessa missão. O que mais se aproxima de um superastro em seu auge é Anthony Edwards, do Minnesota Timberwolves — uma equipe de um mercado menor —, que acaba de passar por uma cirurgia no joelho e ficará fora das quadras por pelo menos dois meses.

No atual campeão New York Knicks, Jalen Brunson é um craque e um jogador decisivo, mas ainda está longe de ser "O cara" da liga inteira. Esse posto, entre os americanos, fica com os veteranos Curry, Kevin Durant, do Houston Rockets, e LeBron James, do Philadelphia 76ers.

A responsabilidade de devolver aos americanos o protagonismo da NBA na próxima década está nas mãos de jogadores como Cooper Flagg, do Dallas Mavericks, e do calouro Cameron Boozer, do Memphis Grizzlies. A pergunta é: eles darão conta do recado?

Semana dos cariocas
Flamengo (5º colocado — 4V/1D) — O Rubro-Negro encara o Pato neste sábado, às 19h, em Pato Branco. Na terça-feira, recebe o Sesi Franca no Maracanãzinho, às 20h30.

Ingressos aqui.

Botafogo (12º colocado — 2V/3D) — O Alvinegro volta à quadra na quinta-feira, às 20h, no Ginásio Oscar Zelaya, em General Severiano, também contra o Sesi Franca. O pentacampeão faz uma turnê carioca nesta semana.

Termômetro da semana


O Minas Storm, do armador Scala (no centro), está invicto neste NBB 19 Foto: Hedgard Moraes/MTC


Sobe — Minas Storm
Primeiro colocado e invicto no NBB (6 vitórias e nenhuma derrota), o Minas Storm, comandado pelo técnico Paulo Bassul, tem um início de campeonato melhor do que a encomenda. São seis vitórias em seis jogos, quatro delas fora de casa. A mais impressionante foi em casa sobre o Brasília, pelo placar de 100 a 61.

Desce — Clube do 1-7
A NBA tem cinco times com apenas uma vitória e sete derrotas: Chicago Bulls, Milwaukee Bucks, Los Angeles Clippers, Sacramento Kings e Utah Jazz. Cada um chegou a esse cenário por um caminho diferente.

O Bulls, de Tiago Splitter, enfrentou um calendário complicado. Foram seis jogos fora de casa em oito partidas, incluindo confrontos com o atual campeão Knicks e com o Celtics, duas vezes cada, além do 76ers, líder do Leste. A estreia em Toronto terminou com a pior derrota em uma abertura de temporada da história da franquia: 135 a 92.

Bucks e Clippers estão ainda nos estágios iniciais de seus processos de reconstrução. Já o Utah Jazz ainda não encontrou a melhor maneira de encaixar Darryn Peterson, segunda escolha do Draft. O calouro tem médias de 12,6 pontos por jogo e aproveitamento de 35,4% nos arremessos. Chegou até a perder a vaga no quinteto titular. A equipe vem de seis derrotas consecutivas.
Já o Kings... Bom, são os Kings.

Agenda da semana
NBB — Flamengo x Sesi Franca
O renovado Flamengo encara um Sesi Franca em crise.
Terça-feira (10/11), às 20h30, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Transmissão: ESPN/Disney+.

NBA — 76ers x Celtics
O Celtics tenta conter o furacão em que se transformou o 76ers.
Terça-feira (10/11), às 22h (de Brasília), na Xfinity Mobile Arena, na Filadélfia. Transmissão pelo NBA League Pass, também disponível como canal no Prime Video.

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