NAS QUADRAS
O que funcionou (e o que não funcionou) na temporada 2025/26 da NBA
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 18/07/2026 às 16:07
Alterado em 18/07/2026 às 16:07
Chegou a hora de ver o que funcionou na temporada 2025/26 da NBA Imagem: Pedro Rodrigues/Feita com IA
Neste período pós-Draft e de mercado de agentes livres, vale aproveitar essa “folga” da NBA para analisar o que funcionou, o que não funcionou e quem foram os grandes personagens da temporada 2025/26.
O que funcionou: o New York Knicks
Se a temporada 2025/26 tivesse uma súmula, o nome no topo seria um só: Knicks. Tudo começou em dezembro, quando o Knicks venceu o Spurs em Las Vegas e levantou a NBA Cup. Parecia o ponto alto do ano. Era só o aperitivo. Nos playoffs, o time de Jalen Brunson despachou o Hawks e varreu 76ers e Cavaliers, voltando às Finais após 27 anos e embalado por onze vitórias consecutivas.
E as Finais contra o mesmo Spurs da decisão da Cup viraram um monumento à teimosia nova-iorquina: 4 a 1 na série, com viradas de dois dígitos nas quatro vitórias — incluindo a maior da história das Finais, depois de estar 29 pontos atrás no jogo 4. No jogo 5, Brunson anotou 45 pontos e levou o MVP das Finais. Cinquenta e três anos depois, o Garden voltou a ser o centro do mundo da bola laranja.
O que não funcionou: o compliance da NBA
A temporada mal tinha subido a bola, e a liga já recebia sua primeira falta flagrante. Três dias após a estreia, o armador Terry Rozier (Heat), o técnico Chauncey Billups (Blazers) e o ex-jogador Damon Jones foram presos em duas investigações federais: uma sobre apostas manipuladas com informação privilegiada — Rozier teria avisado apostadores, em 2023, que sairia de quadra “lesionado” —, outra sobre um circuito de pôquer fraudado com participação da máfia. O caso rendeu cartas do Congresso americano cobrando Adam Silver, e a ironia é dolorosa: o escândalo estourou no colo de uma liga que abraçou com entusiasmo o dinheiro das casas de apostas, e que ainda acabou obrigada, por decisão arbitral, a pagar integralmente os US$ 26,6 milhões do salário de Rozier.
E tinha mais. Em setembro, o podcast de Pablo Torre revelou que Kawhi Leonard assinou um contrato de patrocínio de US$ 28 milhões com a Aspiration, empresa “verde” hoje falida, sem a obrigação de fazer rigorosamente nada — o famoso contrato “fantasma”. O detalhe que muda tudo: Steve Ballmer, dono do Clippers, havia investido US$ 50 milhões do próprio bolso na empresa, e a suspeita é que o acordo tenha servido para pagar Kawhi por fora e driblar o teto salarial. O Clippers nega e se diz vítima de fraude, mas a investigação da liga já dura quase um ano, segue sem veredito e congelou até a troca que levaria Kawhi ao Raptors neste offseason.
Momento surpresa: o domingo do All-Star Game
Convenhamos: ninguém esperava mais nada do Jogo das Estrelas. E aí veio a 75ª edição para bagunçar as expectativas — no bom sentido. No Intuit Dome, a liga estreou um formato inédito: dois times de americanos (Stars e Stripes) e um time do Mundo, em um minitorneio disputado em quatro jogos de 12 minutos. E a ideia funcionou: os três primeiros confrontos foram decididos no detalhe — incluindo um 37 a 35 na prorrogação, com triplo decisivo de Scottie Barnes. Na decisão, o USA Stars atropelou o Stripes por 47 a 21, e Anthony Edwards, com 30 pontos na noite, levou o Troféu Kobe Bryant de MVP. Kawhi Leonard, incluído de última hora, deu show para a torcida de casa, e até os veteranos aprovaram o senso de urgência dos jogos curtos. Depois de anos de jogos-treino com 190 pontos e zero defesa, o All-Star voltou a parecer basquete de verdade. Quem diria: a maior surpresa da temporada foi um domingo de fevereiro.
Personagens
Anthony Davis — Se a temporada fosse um parque de diversões, AD seria a montanha-russa: peça central do retorno na infame troca de Luka Doni, disputou apenas 29 jogos pelo Mavs, convivendo com uma sequência de lesões, antes de ser despachado no deadline para Washington, quando Dallas decidiu reconstruir em torno de Cooper Flagg. Em D.C., não entrou em quadra uma única vez na temporada, e ainda verbalizou dúvidas sobre o projeto da franquia. O consolo é que o time que ele não defendeu ganhou a loteria — e agora AD divide vestiário com AJ Dybantsa, a escolha nº 1 do Draft.
James Harden — Depois de forçar a saída da Filadélfia rumo ao Clippers, em 2023, o genioso armador colecionou mais um capítulo do seu enredo favorito — mudar de endereço e parar antes da última página —, indo ao Cavaliers em fevereiro na troca por Darius Garland. O desfecho foi o de sempre: varrido pelo Knicks na final do Leste, com um jogo 4 melancólico de 12 pontos e 0 de 6 do perímetro, encerrando a temporada como o jogador com mais vitórias em playoffs sem um título, empatado com Karl Malone.
Trae Young — Trocado e esquecido. O armador que um dia carregou Atlanta a uma final de conferência foi negociado em janeiro para o Wizards — lanterna absoluto do Leste —, e a ironia veio em dose dupla: sem ele, o Hawks foi aos playoffs, e o prêmio de jogador que mais evoluiu ficou justamente com Nickeil Alexander-Walker, que floresceu no espaço aberto pela sua saída.
Bam Adebayo — Numa temporada em que o Heat ficou fora até dos playoffs, coube ao pivô o único momento de Miami digno de moldura: 83 pontos contra (adivinhe) o Wizards, em 10 de março — a segunda maior marca da história da NBA, atrás apenas dos 100 de Wilt Chamberlain e à frente dos lendários 81 de Kobe Bryant, com recordes de lances livres convertidos (36) e tentados (43). Houve críticas pelas faltas intencionais do Heat no fim, mas o próprio Bam respondeu à altura: “Se você está bravo, eu não ligo.”
Brasil está na moda
Gui Santos — O “Trabalhador” — apelido que carrega desde os tempos de Minas — enfim, colheu o que plantou. Na terceira temporada pelo Warriors, deixou de ser figurante para virar peça de rotação de Steve Kerr: 68 jogos, 30 como titular, médias de 9,2 pontos e 3,9 rebotes — o dobro do ano anterior — e 50% de aproveitamento nos arremessos, com direito a uma noite de gala de 31 pontos contra o Grizzlies. Num ano em que as lesões de Curry e Butler bagunçaram São Francisco, foi o brasileiro quem segurou as pontas. O time parou no play-in, mas o único brasileiro na NBA se consolidou como jogador de rotação de verdade.
Tiago Splitter — Se a carreira de técnico fosse um roteiro, ninguém aprovaria: inverossímil demais. O catarinense assumiu o Blazers de forma interina logo após a abertura da temporada, quando Billups foi preso, e transformou o caos em campanha histórica: 42-40, vaga nos playoffs — a primeira da franquia desde 2021 — e a explosão de Deni Avdija, All-Star pela primeira vez sob seu comando. A eliminação veio em cinco partidas, mas para o Spurs, futuro campeão do Oeste. A recompensa chegou em junho: contratado como o 25º técnico da história do Chicago Bulls, o primeiro brasileiro efetivado como treinador principal de uma franquia da NBA. E com um toque de conto de fadas: criança, Splitter assistia escondido dos pais, de madrugada, aos jogos de Michael Jordan — agora vai comandar o time do ídolo. O basquete brasileiro agradece — e esta coluna também.