NAS QUADRAS
Feliz 2027
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 23/04/2026 às 17:20
Alterado em 23/04/2026 às 17:20
Sergio 'Oveja' Hernandez comandou o Flamengo pela última vez pela BCLA Americas
Foto::FIBA Americas
A ideia desta semana era falar do balanço da temporada regular do NBB 18 e do começo dos playoffs, mas, como diz o ditado: a vida acontece enquanto fazemos planos. Isso porque a crise se instalou de vez na Gávea. O Flamengo entrou em uma crise que rivaliza com a crise ocorrida em 2016/17, quando se viu o fim da era do técnico José Neto.
No período de uma semana (14 a 22 de abril), o Flamengo teve “somente” estes acontecimentos:
1. Possível fim de temporada para seu jogador mais importante, Alexey Borges, por lesão no joelho;
2. 5º lugar na temporada regular do NBB;
3. 4º colocado na BCLA Américas com duas derrotas acachapantes do eventual campeão Boca Juniors e Nacional-URU;
4. Demissão de seu técnico Sérgio “Oveja” Hernandez;
5. Votação para que o SESC-RJ ajude na modalidade;
6. Efetivação do auxiliar técnico Fernando Pereira, o Fernandinho, até o fim da temporada;
7. Início de playoffs contra o complicado União Corinthians.
É muita coisa em pouquíssimo tempo e em diversas frentes ao mesmo tempo. Vamos nos focar primeiro na frente esportiva e no item mais traumático: a demissão de “Oveja”. Sérgio Hernandez é um técnico ultratarimbado, medalhista olímpico em Pequim com a seleção Argentina e vencedor em todas as suas paradas. É um técnico perfeito para um grupo maduro que busca melhorar para defender seu protagonismo. Acontece que o Flamengo hoje não é esse time. Apesar do alto orçamento na montagem da equipe, o rubro-negro está há 3 temporadas, pelo menos, na busca de vencer o Sesi-Franca pela supremacia do basquete nacional. Precisa ter em quadra jogadores para vencer essa dinastia.
Temos que lembrar que foi um Flamengo em uma fase muito melhor com Alexey, Ruan, Shaq jogando no limite, que levou Franca ao jogo 5 no NBB do ano passado. Trazer Alex Negrette, bom jogador, e Franco Baralle, ex-Minas, não resolveria a questão. É preciso de mais.
Para piorar, o quinteto ideal (Cummings-Gui-Ruan-Alexey-Shaq) não jogou um segundo nesta temporada devido à lesão de Ruan Miranda ainda em agosto do ano passado, quando o jogador estava com a seleção na Americup. Quem acompanha esta “Nas Quadras” já leu “ad nauseam” sobre estas lesões no elenco de basquete do Flamengo, que foram devastadoras na temporada.
Talvez por ser o Flamengo e pela falta de talento fora da curva no mercado nacional e latino americano, o time teve que repor com jogadores que permitissem ter uma equipe competitiva, não um time capaz de tirar o protagonismo de Franca.
Contudo, mesmo competitivo, o Flamengo decepcionou muito. Vitima de seu sucesso, o time da Gávea se viu envolvido em diversas competições desde o início de setembro, e não teve profundidade de talento no elenco para suprir faltas importantes. Isso levou a derrotas que um time que quer ser campeão não pode sofrer. Perder para times como Caxias, União Corinthians, Rio Claro e principalmente uma surra do Pato Basquete (ainda mais pelas circunstâncias da partida - jogo ocorreu após agressão a árbitro e só teve torcida por conta de efeito suspensivo) são imperdoáveis do ponto de vista esportivo. E o Flamengo pagou sofrendo 10 derrotas, aproveitamento de 73%, e um 5º incômodo 5º lugar.
As copas poderiam ser o alívio para o time. O fracasso no Super 8 foi em casa contra o Minas, quando Oveja foi hostilizado pela torcida. Ainda bem que a BCLA Americas foi em Buenos Aires, longe dos olhos da Nação, porque o Flamengo não teve a menor chance contra o Boca (81x 58) na semifinal e na disputa do terceiro lugar contra o Nacional(94 a 65).
Foi um time fragilizado, quebrado física e mentalmente que começou os playoffs da NBB. A sorte pareceu sorrir no jogo 1, ocorrido na quarta (22). O União Corinthians desmororou no terceiro quarto e Negrette explodiu para 30 pontos. Vitória no jogo 1 da série por 102 a 72. Agora a série vai para Santa Cruz do Sul - RS para os jogos 2, sábado (25) às 18 horas e o jogo 3 na segunda (27) às 20 horas.
Além das questões de quadra, fora dela o conselho votou a favor, na última quinta-feira (16), do patrocínio do SESC-RJ para todos os esportes olimpicos (basquete, volei, futebol feminino) - nota do clube aqui. No release diz que “Além da visibilidade de marca, o acordo inclui iniciativas de relacionamento, como ações em dias de jogo, experiências com a torcida, visitas a unidades do Sesc e participação em projetos sociais, ampliando a conexão entre as instituições e suas comunidades.” Para quem acompanha o basquete, esse movimento parece querer trazer mais público para os jogos, o que seria muito bem-vindo. Só faltou no texto uma reafirmação do clube com os rumos do basquete a partir do segundo semestre de 2026.
O Basquete do Flamengo já viveu crises anteriormente. Em todos os casos, as mudanças (chegada de José Neto em 2011 e Gustavo de Conti em 2019) levaram o Flamengo a um período de domínio no basquete nacional. A vantagem de uma situação como a atual é que se tem uma folha em branco para escrever uma nova história. A diretoria e os responsáveis pelo basquete estão com essa responsabilidade e cabe uma certa ousadia para que o basquete volte realmente a ser o “Orgulho da Nação”.