NAS QUADRAS

Balanço da Temporada 2025/2026 da NBA

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Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 11/04/2026 às 07:02

Alterado em 11/04/2026 às 12:42

Adam Silver teve trabalho nesta temporada 2025/2026 Imagem: Pedro Rodrigues/Feita com IA

Neste domingo (12), chega ao fim a temporada regular de 2025/2026 da NBA. A temporada, que marca o início do fim da década, ficará marcada por expor fraquezas e inseguranças em quem comanda a maior liga de basquete do mundo, dentro e fora das quadras.

Este ano, a maior de todas as feridas expostas foi o escândalo de apostas que envolveu Terry Rozier, do Miami Heat. O caso foi investigado e divulgado pelo diretor do FBI, Kash Patel. Rozier havia sido inocentado pela NBA e atuava normalmente até a crise explodir em novembro. Como a tragédia nunca vem sozinha, Patel revelou, em coletiva de imprensa, que o técnico do Portland Trail Blazers, Chauncey Billups, estava envolvido em jogos de pôquer fraudados pela máfia. Por coincidência ou não, a NBA tem se mantido distante de discursos mais politizados neste segundo mandato de Donald Trump. E nunca mais o FBI ou qualquer agência governamental falou de NBA. Estranho...

Talvez pela pressão desses incidentes, somada aos problemas de audiência e de público nos jogos, vimos um comissário Adam Silver bem mais reativo do que em anos anteriores. Com tantas notícias negativas, o comissário optou por mudar o foco — e nada melhor do que uma dose de nostalgia para isso. Com a aprovação da expansão da liga para Seattle e Las Vegas, prevista para daqui a dois anos, a NBA ganhou alívio na cobertura, enquanto os donos das franquias devem receber uma significativa fatia financeira com a entrada das novas equipes, tanto na NBA quanto na WNBA.

Agora, vamos ao que interessa. Estes foram os pontos que mais chamaram a atenção durante a temporada regular 2025/2026.

Time subestimado

O Boston Celtics entrou na temporada cercado de dúvidas. Sem Jayson Tatum por um longo período devido a lesão, e após decisões duras da diretoria, como a saída de Jrue Holiday, o cenário apontava para um ano de reconstrução silenciosa. Mas o que se viu foi o oposto: um time resiliente, com rotação eficiente, forte defesa coletiva e protagonismo distribuído. A campanha, que terminou com a segunda colocação no Leste, evidencia a cultura competitiva da franquia e a capacidade de adaptação de seu elenco e comissão técnica.

'Ninguém se importa'

Já estamos na terceira edição da NBA Cup, e pouco mudou na percepção do público sobre o torneio. Apesar do esforço da liga em valorizá-lo com uma boa transmissão da Amazon Prime, a sensação é de que o título tem peso semelhante ao de um campeonato de conferência — ou seja, praticamente nenhum. Pior: o título de conferência ao menos garante presença nas finais. NBA CUP é um torneio sem relevância, identidade, tradição e, principalmente, significado competitivo.

Grandes personagens da temporada

A trajetória de Anthony Davis merece estudo por psicólogos do mundo inteiro. Nos últimos 12 meses, ele participou de uma das trocas mais impactantes da história recente da NBA (envolvendo Luka Doncic e o Los Angeles Lakers), foi para o Dallas Mavericks, lesionou-se rapidamente e acabou sendo despachado para um dos “purgatórios” da liga: o Washington Wizards. Montanha-russa de emoções é pouco para descrever esse percurso.

Bam Adebayo, por outro lado, jamais esquecerá a temporada 25/26. Foi justamente contra o Wizards de Davis que o jogador do Miami Heat marcou impressionantes 83 pontos.

Nova geração

Dois calouros do ano? Por que não? Cooper Flagg, do Dallas Mavericks, apresentou números consistentes, flertando com médias próximas de double-double (21 pontos e 6 rebotes) e impacto imediato nos dois lados da quadra. Já Kon Knueppel, do Charlotte Hornets, destacou-se pelo volume ofensivo e pela eficiência nos arremessos (42% de 3 pontos), sendo peça fundamental para tirar a franquia de um longo período de irrelevância.

Ambos apresentam argumentos sólidos para uma premiação compartilhada — algo raro, mas justificável pelo equilíbrio de desempenho. Menção honrosa para V.J. Edgcombe, do Philadelphia 76ers, que demonstrou grande potencial ao longo da temporada.

Oportunidade perdida

As diretorias do Milwaukee Bucks e do Golden State Warriors falharam em um ponto crucial: montar elencos com reais chances de título enquanto suas principais estrelas ainda atuam em alto nível. Tanto Giannis Antetokounmpo quanto Stephen Curry seguem produzindo em elite, mas cercados por equipes desequilibradas e com pouca profundidade para brigar no topo.

In memoriam

Nesta temporada, nos despedimos do Memphis Grizzlies de Ja Morant. A diretoria trocou o último pilar do elenco, Jaren Jackson Jr., e abraçou de vez o tanking. Um Memphis em reconstrução significa que Morant está no mercado. A questão é saber quem estará disposto a dar mais uma chance a um armador talentoso, porém com histórico de lesões e problemas extracampo.

Time surpresa

O Phoenix Suns, após uma campanha frustrante baseada em nomes como Bradley Beal e Kevin Durant, apostou em um elenco mais funcional e coletivo. Com jogadores menos badalados, como Jalen Green, Dillon Brooks e Collin Gillespie, a equipe encontrou uma identidade defensiva e garantiu vaga no play-in — mantendo ainda Devin Booker no elenco. Menção honrosa ao Atlanta Hawks, que também se encaixa como time surpresa.

O Brasil está na moda

Com a saída de Chauncey Billups do Portland, a diretoria confiou o cargo de técnico principal a Thiago Splitter. O brasileiro assumiu o time na primeira semana da temporada e conseguiu extrair de um elenco jovem, liderado por Deni Avdija, uma vaga no play-in. Um resultado bastante respeitável para uma equipe considerada uma das mais frágeis da liga.

A grande história para nós, brasileiros, é a de Gui Santos no Golden State Warriors. O jovem cumpriu todas as etapas — draft, G League e um longo período no banco — sempre com muito trabalho e consistência. Quando Steve Kerr passou a dar minutos em quadra, ainda que gradualmente, Santos respondeu bem e provou que tem nível de NBA e disposição para contribuir com o time. O auge dessa fase aconteceu em 25 de março, quando marcou 31 pontos contra o Brooklyn Nets.

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Na próxima semana, balanço da temporada regular do NBB.
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O futuro em quadra

Estão acontecendo neste mês de abril os torneios de base, do sub-12 ao sub-22, da Federação de Basquete do Estado do Rio de Janeiro (FBERJ). Neste ano, além dos tradicionais Flamengo, Tijuca, Botafogo, Vasco e Fluminense, a Basquete S.A. participa pela primeira vez com equipes nas categorias sub-12 e sub-14. Isso representa um aumento no número de jovens praticantes do esporte no estado do Rio de Janeiro.

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