NAS QUADRAS
Muito barulho, poucas mudanças
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 07/02/2026 às 13:24
Alterado em 07/02/2026 às 13:26
Depois de muita especulação, a janela de trocas da NBA está fechada Imagem: Pedro Rodrigues/feita com IA
Acabou a temporada da NBA. Pelo menos para uma parte — por sinal, bem grande — de quem acompanha a liga de basquete via rede sociais. Isso porque, na última quinta-feira (5), foi encerrada a janela de trocas de jogadores da NBA.
O interesse pelas trocas chega a ser febril, já que é alimentado por rumores e especulações que nem sempre — quase nunca — chegam a lugar algum. É triste ver a que ponto chegamos na NBA. O mundo digital e especulativo acaba se sobrepondo ao que acontece em quadra, e isso tem reflexos diretos nos jogos.
Os jogadores, apesar de parecerem super-heróis para nós, já que possuem habilidades que poucos têm, são humanos. O estresse mental causado pelas trocas gera incertezas sobre quem será o colega de time e sobre o impacto na vida familiar. Não é pouca coisa. Mudar faz parte da NBA — é do jogo —, mas tem um preço alto.
Neste ano, passamos longe de uma troca bombástica como a que levou Luka Doncic do Dallas Mavericks para o Los Angeles Lakers. Houve muita especulação envolvendo astros como Giannis Antetokounmpo, do Milwaukee Bucks, e Ja Morant, do Memphis Grizzlies, mas ambos permanecem onde estão.
No geral, vimos muitos movimentos para ajuste de folha salarial, e pouco — muito pouco — para mudar o status dos favoritos ao título nesta temporada.
Vamos às trocas que mais chamaram a atenção.
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Anthony Davis no Washington Wizards
O Dallas Mavericks jogou a toalha de vez. Com a saída de Anthony Davis para o Wizards, o time inicia oficialmente sua reconstrução em torno do ala Cooper Flagg. Trocar AD expôs ainda mais uma ferida que não cicatrizou — a troca de Doncic —, e duvido que isso aconteça tão cedo.
Já o Wizards tenta sair do ostracismo. A franquia da capital americana apostou, nas últimas temporadas, em jovens talentos para liderar o time, e fracassou retumbantemente. A esperança agora é que o recém-chegado armador Trae Young (ex-Atlanta Hawks) e Anthony Davis consigam conduzir a equipe a algumas vitórias na próxima temporada.
Troca completa:
Charlotte Hornets recebe:
• Malaki Branham (via Wizards)
Dallas Mavericks recebe:
• Khris Middleton (via Wizards)
• AJ Johnson (via Wizards)
• Tyus Jones (via Hornets)
• Marvin Bagley III (via Wizards)
• Escolha de 1ª rodada de 2026 (via Oklahoma City)
• Escolha de 1ª rodada de 2030 (via Golden State)
• Três escolhas futuras de 2ª rodada (via Wizards)
Washington Wizards recebem:
• Anthony Davis (via Mavericks)
• Jaden Hardy (via Mavericks)
• D’Angelo Russell (via Mavericks)
• Dante Exum (via Mavericks)
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James Harden no Cavaliers
Nunca na história da NBA alguém conseguiu tanto e entregou tão pouco. Esse é o armador James Harden, de 35 anos: números fantásticos na temporada regular e zero títulos da NBA no currículo.
O Cleveland Cavaliers resolveu apostar em Harden como uma das peças para conquistar o Leste nesta temporada. O problema é que Harden não consegue manter nos playoffs o mesmo nível de atuação que apresenta na temporada regular. Isso já aconteceu em Oklahoma City, Houston, Brooklyn, Filadélfia e Los Angeles. Boa sorte ao time de Ohio.
Já o Clippers parece se despedir definitivamente do projeto iniciado em 2019 ao redor de Kawhi Leonard. Para o lugar de Harden, chega o armador Darius Garland, duas vezes All-Star, com uma bagagem bem menor do que a do “Barba”.
O Clippers também rejuvenesce ao receber, do Indiana Pacers, Bennedict Mathurin em troca do pivô Ivica Zubac. Bom movimento de ambas as equipes nesse sentido.
Troca completa:
Indiana Pacers recebe:
• Ivica Zubac
• Kobe Brown
Los Angeles Clippers recebem:
• Bennedict Mathurin
• Isaiah Jackson
• Escolha de 1ª rodada de 2026 (via Indiana)
• Escolha de 1ª rodada de 2029 (via Indiana)
• Escolha de 2ª rodada de 2028 (via Indiana)
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Outros movimentos
Vucevic no Celtics — Bom movimento do Boston Celtics. Talvez não seja o ano, mas em 2026, com a volta de Jayson Tatum, o time pode voltar a sonhar com o título.
Kuminga no Hawks — Finalmente chegamos ao fim da chatíssima e desnecessária novela Jonathan Kuminga versus Golden State Warriors. O jovem ala deixou a Califórnia e foi para a Geórgia, trocado pelo ex-unicórnio do Knicks, Kristaps Porzigis.
Do lado dos Warriors fica a sensação de fracasso total na tentativa de cercar Stephen Curry com um núcleo jovem para manter viva a dinastia da última década (lembram de Jordan Poole e James Wiseman?). Para o Hawks, há alívio ao se livrar de um jogador caro — cerca de 30 milhões de dólares por ano — e constantemente lesionado.
Confira todas as trocas no rastreador oficial da NBA.
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Inaceitável
No basquete, é muito difícil manter constância durante uma temporada inteira. Times oscilam, derrotas acontecem — é normal. Assim como é normal que equipes que aspiram ao título consigam vencer os jogos que devem vencer e encontrem soluções para aqueles em que não são favoritas.
O que não pode acontecer é a tragédia que abateu o Flamengo contra o Pato Basquete. O rubro-negro foi derrotado fora de casa por 84 a 53. Pior pontuação da história do Flamengo no NBB. A “cereja do bolo” foi o terceiro período, quando o Flamengo marcou apenas sete pontos. É muito pouco para um elenco e uma comissão técnica que têm talento para vencer, com todo o respeito, o adversário em questão.
É um Flamengo pressionado que chega neste fim de semana para a janela argentina da BCLA. Apesar de já classificado para a próxima fase, o time precisa vencer para baixar a temperatura na Gávea.