Jornal do Brasil

Esportes - Copa do Mundo Feminina 2019

'Maré laranja' holandesa desafia EUA por título inédito

FolhaPress LUCAS NEVES E JOÃO GABRIEL

PARIS, FRANÇA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O troféu de carisma da torcida já está há semanas nas mãos da Holanda. A "maré laranja" que invade cada cidade em que a seleção feminina joga, com direito a coreografia, é uma das imagens mais divertidas da Copa do Mundo da França.

Dito isso, ninguém se atrevia, até alguns dias atrás, a incluir as holandesas no pelotão das favoritas à taça de campeãs do mundo.

Adversárias da favorita seleção dos EUA na final deste domingo (7), às 12h, em Lyon, elas tentarão mostrar que não despacharam equipes mais tradicionais, como Canadá, Japão e Suécia, só por sorte de (quase) principiante.

A Holanda faz sua segunda participação em um Mundial. Na primeira aparição, em 2015, alcançou as oitavas de final. Já em Olimpíadas, aparecerão pela primeira vez no ano que vem, em Tóquio.

O ponto de virada foi o título da Eurocopa de 2017, jogando em casa. O público holandês "descobriu" sua seleção feminina, compareceu em peso aos estádios e seguiu prestigiando as atletas após o término do campeonato.

Segundo o jornalista esportivo Willem Vissers, que acompanha o time há dez anos, as comandadas de Sarina Wiegman hoje dificilmente jogam no país para plateias inferiores a 30 mil pagantes.

Os índices de audiência alcançados na Holanda por transmissões de partidas da Copa confirmam o interesse.

Na última quarta (3), mais de 5 milhões de espectadores viram a vitória sobre a Suécia que alçou a seleção à final. Foi quase 1 milhão acima do registrado na decisão da Euro, dois anos atrás. Nenhum programa desde a semifinal da Copa masculina de 2014 (Holanda x Argentina) havia sido tão assistido no país.

A trajetória ascendente também turbinou a prática do esporte. Existem hoje 160 mil jogadoras registradas na federação holandesa.

Muito disso se deve também à treinadora Sarina Wiegman. Jogadora entre 1994 e 2003, ela foi a primeira mulher a vestir a camisa laranja mais de 100 vezes. Após se aposentar, tornou-se treinadora e, no começo de 2017, assumiu o posto de técnica da seleção principal. Seis meses depois, conquistaria a Euro.

"Eu acho que o potencial estava na Holanda havia muito tempo. Mas as condições não estavam até 2007, quando a Eredivisie [liga nacional] começou [para as mulheres]", disse a técnica. "É o desenvolvimento interno na Holanda e individual que permite grandes passos", completou.

Segundo Vissers, hoje cada cidadezinha tem seu clube. Apesar disso, 17 das 23 jogadoras da seleção (74%) atuam no exterior, o que faz o campeonato nacional não ter um nível tão forte.

É o caso das atacantes Lieke Martens, do Barcelona, e Shanice van de Sanden, do Lyon, respectivamente vice e campeã europeia deste ano.

Outra atleta que atua fora é Jackie Groenen, autora do gol da vitória na semifinal e que acaba de se transferir do alemão Frankfurt para o inglês Manchester United.

A jovem estrela holandesa carrega o número 14 nas costas, o mesmo de Johan Cruyff, lendário jogador holandês de quem seu pai era devoto.

Neste domingo, Groenen e suas companheiras terão a chance de fazer o que nem Cruyff nem outro holandês jamais conseguiu: vencer uma Copa do Mundo. A seleção masculina bateu na trave três vezes: em 1974, 1978 (com o time comandado pelo camisa 14 e apelidado de Laranja Mecânica) e em 2010.

Em 1988, a seleção comandada por Van Basten, Gullit e Rijkaard também conquistou a Euro, mas, na Copa de dois anos depois, foi eliminada nas oitavas de final.

Entre a Holanda e o feito inédito, porém, está a seleção dos Estados Unidos, tricampeã do mundo e que busca ampliar sua hegemonia.

A potência passeou em campo na fase de grupos. Marcou 18 vezes em três jogos (saldo que inclui a goleada de 13 a 0 sobre a Tailândia, a maior já vista em Copas).

O mata-mata, porém, tem se mostrado mais desafiador para as americanas, com três vitórias por 2 a 1 sobre Espanha, França e Inglaterra. Agora caberá a outra equipe europeia tentar parar as favoritas.