Jornal do Brasil

Esportes - Copa do Mundo Feminina 2019

Anti-Trump, atacante lidera EUA em campo e na defesa de bandeiras

FolhaPress MARINA DIAS

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Quando uma das maiores estrelas da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos entrar em campo nesta sexta-feira (28), às 16h (de Brasília) não deve contar com a torcida de Donald Trump.

Abertamente gay e defensora de bandeiras de igualdade racial e de gênero, a atacante Megan Rapinoe, 33, decidiu travar um conflito direto com o presidente americano durante a Copa do Mundo Feminina.

Às vésperas das quartas de final contra a França, donas da casa e um dos melhores times do torneio, Rapinoe afirmou em entrevista que não irá "à porra da Casa Branca" se as americanas conquistarem o tetracampeonato.

Trump reagiu. Nesta quarta-feira (26) disse que ainda não havia convidado a jogadora ou a seleção para sua residência oficial e que Rapinoe precisava "vencer antes de falar."

"Ela não deveria desrespeitar nosso país, a Casa Branca ou a nossa bandeira, especialmente tendo em vista o muito que tem sido feito por ela e pelo time. Tenha orgulho da bandeira que você veste", retrucou o presidente.

A referência é em relação à postura de Rapinoe quando o Hino Nacional americano toca antes das partidas. Ela não canta e não leva a mão direita ao peito, como as demais jogadoras de sua seleção.

A recusa em replicar o patriotismo tão habitual nos EUA vem desde 2016, quando Rapinoe -uma atleta branca- se ajoelhou durante o hino antes de uma partida repetindo o gesto consagrado por Colin Kaepernick, ex-jogador negro da NFL (liga de futebol americano dos EUA), em protesto contra o racismo no país.

Seis meses depois, em aparente resposta às manifestações, a federação de futebol americana alterou seus regulamentos para exigir que os jogadores ficassem em posição de respeito, em pé, durante a execução do hino.

Rapinoe agora permanecesse ereta, porém em silêncio nos minutos que antecedem a partida. Durante os jogos e nas lutas fora de campo, porém, é uma das lideranças mais ativas entre as 23 americanas que buscam o quarto título no mundial -o segundo consecutivo.

Com três gols na competição até agora e capitã do time em dois jogos (contra Tailândia e Espanha), foi Rapinoe quem afirmou que a Fifa não estava fazendo o bastante pelo futebol feminino, levando-se em consideração os recursos e a capacidade da entidade.

O prêmio da Copa Feminina dobrou de tamanho de 2015 para cá, passando de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões, mas ainda muito longe dos US$ 400 milhões que são pagos aos vencedores do torneio masculino.

Em março deste ano, 28 jogadoras dos EUA decidiram processar a federação de futebol para pedir salários iguais aos dos jogadores. Alegavam pelo menos 19 jogos a mais que a seleção masculina em três anos, o que teria implicado em mais desgaste, treino e viagens.

O ativismo da seleção feminina é um dos motivos que impulsionam sua popularidade entre os americanos. Em geral, eles são muito mais entusiastas das jogadoras do que do time masculino, que nunca ganhou uma Copa do Mundo.

Em 16 de junho, por exemplo, bares de Washington, a capital americana, estavam cheios de torcedores vidrados nos telões que exibiam EUA x Chile.

Era um domingo, e a vitória das americanas por 3 a 0 foi a partida mais vista na história do país em uma fase de grupo de Copa do Mundo Feminina.

Segundo a Fox, emissora que exibe o torneio nos EUA, o pico de audiência foi de 7 milhões de telespectadores, com média de 5,3 milhões -19% a mais em comparação com a última Copa, em 2015, no Canadá.

Durante a semana, como a maior parte dos jogos têm sido em horário comercial para os americanos, os recordes de audiência migram para o streaming (serviço de transmissão online).

Quando os EUA venceram a Espanha por 2 a 1, em jogo difícil das oitavas de final, mais de 600 mil pessoas viram a partida online, uma audiência 300% maior do que a de quatro anos atrás.

Com o time que é o maior vencedor de todas as Copas e autor da maior goleada da história dos mundiais -13x0 contra a Tailândia, na estreia dos EUA- Rapinoe terá que liderar superlativos no jogo desta sexta. Estará sob os olhos atentos de muitos americanos, entre eles, Donald Trump.