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CBF deveria ajudar mais os clubes financeiramente durante a pandemia, diz sindicato dos atletas

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Jogadores do Grêmio usam máscaras em partida do Gauchão antes do isolamento social (Foto: Folhapress / Richard Ducker / FramePhoto)


A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que vai liberar R$ 36 milhões em recursos para clubes, árbitros e federações estaduais para enfrentar a perda de recursos causada pela paralisação das competições em meio à pandemia da COVID-19.

Em um primeiro momento, a CBF vai priorizar 160 equipes masculinas que não estão na Série A do Campeonato. Os times da Série B receberam cada um R$ 600 mil pelo adiantamento das cotas de televisão e as demais divisões nacionais vão receber as doações pelos próximos dias. No futebol feminino quem está na elite ganhará R$ 120 mil e os participantes da segunda divisão receberão R$ 50 mil.

A informação foi dada pelo presidente da CBF, Rogério Caboclo, para uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo na terça-feira (7).

Em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil, Rinaldo José Martorelli, ex-jogador de futebol e presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, disse que a ajuda da CBF poderia ser maior e que os clubes também precisam dar sua dose de sacrifício.

Segundo balanço divulgado pela própria Confederação Brasileira de Futebol, em 2019 o lucro líquido obtido pela entidade foi de R$ 190 milhões.

"A CBF está muito contida nessa disposição de ajudar. Se a gente olhar para o balanço que ela própria publicou um pouco antes da pandemia, em que ela teve um lucro líquido de R$ 190 milhões. [A ajuda de] R$ 36 milhões só mostra que ela está muito contida nessa solidariedade", disse Martorelli.

Outra possibilidade que vem sendo ventilada dentro dos clubes brasileiros é a de reduzir o salário dos jogadores. Na segunda-feira (6), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, decidiu que os acordos de redução de salário devem passar pelos sindicatos.

Martorelli defende que cada caso seja olhado individualmente, mas que entende que os clubes também tem que dar a sua "dose de contribuição".

"Estão dizendo que todo mundo tem que dar sua cota de sacrifício nesse momento. Mas e o clube? Qual é a cota dele? Mas eles estão dizendo que tiveram problemas, mas mesmo com o problema que eles estão tendo, qual é a cota de sacrifício?", questiona.

Pedro Trengrouse, professor de Direito Desportivo da FGV, coordenador acadêmico do Programa Executivo FGV/Fifa/CIES em Gestão do Esporte, acredita que a pandemia da COVID-19 é a deixa para reformular o futebol brasileiro e seu calendário.

"Agora talvez seja o momento para rever o calendário como um todo. Aqui no Brasil nós temos clubes grandes jogando muito e clubes menores jogando muito pouco. Aproximadamente 90% dos clubes brasileiros joga apenas 19 datas, fica em atividade em quatro meses do ano e fecha as portas no restante, talvez seja a hora de rever esse calendário", disse.

Trengrouse disse que o melhor talvez a ser feito neste período seja conceder férias coletivas aos atletas.

"Férias coletivas são uma boa ideia porque como já está tudo parado é melhor aproveitar esse momento para que as pessoas já tenham o gozo do seu direito. Mas nem todo mundo tem condições de conceder férias coletivas, a começar pelo caixa que é necessário para pagar essas férias", afirmou.(Sputnik Brasil)