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Ex-vice jurídico do Fluminense faz duras críticas ao comunicado oficial divulgado pelo clube

Jornal do Brasil GUILHERME BIANCHINI, guilherme.bianchini@jb.com.br

O acordo entre Fluminense, Gustavo Scarpa e Palmeiras, a ser homologado nos próximos dias e publicado com exclusividade pelo JB, causou sensações distintas entre os tricolores. Muitos criticaram a diretoria por ter aceitado apenas 1,5 milhão de euros – R$ 6,7 milhões – como compensação pela perda do jogador, embora outros tenham ressaltado a importância de evitar um prejuízo de eventual derrota na Justiça, na casa dos R$ 9 milhões.

O maior motivo de estranhamento, no entanto, foi outro. No conteúdo da nota oficial divulgada pelo Fluminense, o clube agradeceu ao atleta pelo “profissionalismo, dedicação e conduta correta durante todo o período em que esteve conosco”. Tal declaração foi uma exigência de Scarpa para fechar o acordo.

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O zagueiro Digão, em posição irregular, chuta para marcar o primeiro gol do Fluminense (Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image/LancePress!)

Vice-presidente jurídico do Fluminense até maio, antes de o meia conseguir o habeas corpus que o liberou para jogar pelo Palmeiras, Miguel Pachá fez duras críticas à condição estabelecida por Scarpa.

“Não acho que um jogador que tentou sair da forma que ele fez, atingindo a instituição, possa ser praticamente agradecido. É completamente inapropriado, principalmente porque essa nota foi imposta ao clube. O Fluminense faz esse acordo de joelhos. Essa retratação forçada revela muito das duas partes”, disparou Pachá.

O advogado condenou a postura de Scarpa durante a disputa judicial. “Como posso dizer que concordo com a opção de um jogador em sair pela porta dos fundos de um clube que o revelou e o colocou na seleção brasileira? É negar tudo que eu vinha falando até agora”, completou.

Pachá revelou que o montante a ser recebido pelo clube é bem inferior ao que vinha sendo solicitado nas primeiras reuniões. A diretoria se mostrava irredutível em relação ao recebimento de pelo menos 4 milhões de euros para fechar o acordo.

Do outro lado da mesa, o jogador queria apenas abrir mão da ação judicial, mas não dos R$ 750 mil que o Fluminense lhe devia. Além disso, Scarpa demandava ficar com o passe livre, sem que o clube que o revelou pudesse lucrar com alguma transferência. No fim das contas, a dívida acabou perdoada, e o tricolor ainda garantiu um pequeno percentual de uma eventual venda futura do atleta. Procurada, a assessoria do clube informou que não entrará em detalhes sobre o acordo.



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