Em mar de referências, Vila-Matas reflete sobre a morte da literatura

O escritor espanhol Enrique Vila-Matas voltou à Lona dos Artistas, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), neste sábado para substituir J.M.G. Le Clézio, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 2008. Le Clézio cancelou sua vinda ao evento por motivo de saúde. Vila-Matas apresentou sozinho a mesa Música para Malogrados e trouxe ao público leitura de ensaios que refletiram sobre literatura e sua trajetória como autor.

No início da sessão, Vila-Matas prestou homenagem ao escritor italiano Antonio Tabucchi, que morreu em 25 de março deste ano.

Em um dos fragmentos de um ensaio, o escritor esmiuçou a trajetória de sua produção literária. Segundo ele, sua obra se inicia fazendo uma indagação sobre o “sem sentido”. Posteriormente, passa a tentar construir uma “automitografia”, chegando à etapa atual – que afirmou ser a última – quando busca se aproximar da verdade pela ficção, sem trair-se jamais.

“Estas palavras aqui, em Paraty, devem ser colocadas nessa terceira e última etapa”, acrescentou Vila-Matas. 

O autor, que esteve em mesa com o escritor chileno Alejandro Zambra na quitna-feira (5), não economizou nas referências literárias durante a palestra. Citando Calvino, Cervantes, Baudelaire, Rimbaud, entre outros, refletiu que sobre a morte da literatura nos dias de hoje. “No que se refere à literatura, tudo já acabou”, sentenciou.

Ainda, atacou os jovens escritores que tem a necessidade de serem vistos, referindo-se à dominação que o mercado exerceu sobre a literatura.

 “Os escritores devem ser lidos, e não vistos”, disse, parafraseando o escritor norte-americano William Gaddis. “No exato momento em que os escritores começaram a ser vistos, tudo foi por água abaixo”.

Por fim, considerou que seu último romance, Ar de Dylan, foi o mais pessoal de todos que escreveu:

“Ar de Dylan tenta descrever o ar do nosso tempo. É também um diálogo com o jovem escritor que fui”, afirmou.